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Publicitários encaram desafio constante

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Se a moda do politicamente correto atinge direta e constantemente uma classe profissional, certamente essa turma é a dos publicitários. Como nunca, as equipes que trabalham com propaganda queimam os neurônios para fazer peças que, ao mesmo tempo, criem impacto, mas também não choquem os chamados valores em xeque.

Quem já era nascido ao menos nos anos 1980, se lembra da adrenalina dos esportes radicais praticados por fumantes de uma marca de cigarros nos comerciais.

A cada salto de esqui na neve, vôo de asa delta ou virtuosos rapeis em intimidadoras cordilheiras, sempre ao som de uma guitarra estridente, uma baforada antecipava os joviais sorrisos dos saudáveis e atléticos atores na propaganda do que era intitulado o "cigarro do sucesso".

Cigarro mata. O governo percebeu que deixava verdadeiras sentenças de morte irem ao ar e as propagandas do gênero foram banidas no Brasil, em meados da década passada. Essa foi uma das primeiras medidas politicamente corretas na propaganda, que ainda viu restrita a utilização de modelos para anúncios de cerveja.

Animais ou animações alusivas a qualquer bicho também foram vetadas nas propagandas de bebida e todo e qualquer medicamento deve ser anunciado junto a dizeres como "se os sintomas persistirem o médico deverá ser consultado".

Contudo, o que para alguns pode soar como mordaça, há gente da área de criação publicitária que defende as restrições, encaradas não como censura, mas como uma forma de trabalhar conforme preceitos éticos. "Essa pressão (para não se ferir determinados padrões) incentiva o processo criativo", considera Lígia Beatriz de Almeida, coordenadora do curso de publicidade e propaganda da Universidade Sagrado Coração (USC). Para ela, afirmar que os vetos impedem o publicitário de trabalhar é uma maneira "covarde" de se adaptar àquilo que a sociedade anseia. "Sempre haverá quem concorda ou discorda", admite, acreditando também que novos anúncios poderão transcender ao que é aceito como politicamente correto, que tem um novo alvo. "A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quer regulamentar os anúncios de alimentos gordurosos", acrescenta Lígia. Resta saber quem será engolido.

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