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Entrevista da Semana: Léo Amantini

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 9 min

Talento em promover sonhos e sensações


Aos 35 anos, o bauruense Leonardo Amantini Maronezi até lembra aqueles garotos que configuravam a juventude dos anos 80, quando a música, os videogames e a globalização da cultura pop fizeram daquela uma época nostálgica. Mas por trás do tênis All-Star e da barba por fazer, existe uma história construída com garra, força e superação.

Apaixonado por esportes radicais, Léo começa a conversa lembrando do treino de Fórmula 1 de sexta-feira. "O Bruno (Senna, piloto da Lótus) acabou rodando. Ele carrega um fardo que é o nome do tio". Situação parecida vive o entrevistado desta semana. A diferença, segundo ele mesmo, é que o sobrinho do tricampeão de Fórmula 1 e ídolo do esporte brasileiro "pulou etapas". "Na vida, o fundamental é saber o valor das coisas", diz o jovem empreendedor.

Léo é um visionário que identificou no momento de dificuldade uma oportunidade de fazer crescer o negócio da família e reafirmar sua independência financeira. Pai com 18 anos, ele conservou a característica que fez de seu avô, Cláudio Amantini, nome importante na sociedade bauruense. Ao perder precocemente a mãe, Márcia Amantini, vítima de câncer aos 45 anos, o jovem, à época com 21 anos, assumiu os negócios junto ao pai, o empresário José Carlos Maronezi. Aliado à responsabilidade, o espírito inovador foi a garantia do sucesso.

Hoje, além do buffet "Márcia e Marô", Léo também administra a danceteria "W" e o recém-inaugurado espaço "Roccaporena", onde trabalha em conjunto com Kiko Freitas, da Adma Flores.

Enquanto fala com a reportagem do JC, ele atende uma e outra ligação. "Estou coordenando hoje três equipes. Uma carregando um ônibus que vai para Agudos, um coquetel de aniversário de 15 anos e uma bodas", conta. Na agenda do "Márcia e Marô", os sábados não estão mais disponíveis e é necessário uma previsão de mais ou menos um ano e meio de antecedência. Resultado de um serviço bem prestado e da satisfação do cliente, situações adotadas como princípio por Léo.

A história do jovem empresário até parece roteiro de filme, mas é muito real. Ao mesmo tempo que os sonhos de Léo parecem ter se realizado, a ânsia por novas perspectivas revela a intenção do jovem empresário que quer voar ainda mais alto. Um novo espaço para a "W" já está no papel e em um ano deve se tornar realidade.

Apesar de carregar consigo a responsabilidade de administrador, o homem e pai ainda conserva o espírito visionário do garoto rebelde que curtia (e ainda curte) Ramones.

O hobby do ex-campeão de jet ski, agora, é curtir a esposa e o filho. Juntos, entre uma viagem e outra, desfrutam de mergulhos, voltas em pistas de kart e passeios radicais.


Perfil


Nome: Leonardo Amantini Maronezi

Idade: 35 anos

Local de nascimento: Bauru/SP

Signo: Sagitário

Filhos: Leonardo Junior, de 17 anos

Hobby: Colecionar miniaturas de Fórmula 1 e fotografar

Livro de cabeceira: "O Monge e o Executivo", de James Hunter

Filme preferido: "Círculo de Fogo" - (2001-EUA)

Estilo musical predileto: Rock, punk (antes); samba raiz e eletrônica (hoje)

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Para os empresários de Bauru

Para quem dá nota 0: para a criminalidade

E-mail: leomaronezi@hotmail.com


Entrevista


Jornal da Cidade - Você conserva uma aparência mais jovem. Ao mesmo tempo tem uma carreira muito estabelecida para a idade.

Léo Amantini - É verdade, tudo na minha vida foi muito precoce.

JC - Tudo em que sentido?

Léo - Tive uma infância muito feliz. Mas com 14 anos já trabalhava ajudando meu avô na venda de bilhetes nos bingos do Noroeste. Depois, com 18 anos minha namorada engravidou. E acho que foi aí que minha vida mudou.

JC - Foi pai muito cedo, e o que aconteceu a partir daí? Você se casou?

Léo - Sim, casei e sou casado com a Patrícia até hoje. Me lembro que no meu casamento meu filho sentou-se ao lado da minha mãe no primeiro banco da igreja.

JC - Mas o que mudou?

Léo - Bom, foi depois do nascimento do meu filho que comecei a trabalhar no estacionamento da minha família. Na verdade sempre trabalhei, como disse, desde os 14 anos. Mas nesse momento comecei a criar mais responsabilidade e ter cargos de maior importância.

JC - O nascimento do seu filho te privou de algo na juventude?

Léo - Sim. Você imagine um jovem que pensava em sair para a balada, mas não poderia deixar uma mulher com um filho pequeno em casa. Nunca fui um garotinho bonzinho. Eu fui um adolescente comum, rebelde como todos em seu tempo. Peguei carro sem carta, fui expulso da catequese e não era dos mais queridos pelos professores. Então, para mim, no começo, era um dilema, mas que consegui superar com certa facilidade. Na verdade, entendi bem rápido as coisas. Hoje penso que talvez não fosse tão necessário, mas na época pensava em garantir um bom rendimento para minha família e passei a trabalhar mais.

JC - E você estudava?

Léo - Estava cursando Análise de Sistemas quando a Patrícia engravidou. Mas parei o curso e me dediquei ao trabalho.

JC - E não voltou a estudar?

Léo - Não.

JC - E como foi entrar no mercado de eventos?

Léo - Meu primeiro empreendimento foi o restaurante "Los Compadres", que abri em sociedade. Depois, com o falecimento de minha mãe, resolvi me dedicar ao buffet Márcia e Marô e auxiliar meu pai.

JC - Mas você não tinha estudo e nem experiência?

Léo - Minha única experiência era a do dia a dia. Meu avô começou sua vida como garçom de trem, e minha mãe também trabalhou muito tempo com restaurantes e buffet. Eu ouvia muito sobre o ramo e chegava a trabalhar no bar como voluntário em algumas festas. A necessidade veio e resolvi abraçar.

JC - Imagino ter sido muito complicado...

Léo - Sim, foi mesmo. Mas eu sempre pensei que você tem que ser muito otimista e lutar muito para conquistar seus objetivos. É assim que se dá valor nas coisas. Nesse momento de transição que passei, um momento de muita pressão, de busca, de provação, recordo de uma frase dita pelo meu pai que dali para frente me ajudou muito. Ele disse - "O tempo não faz craques, faz veteranos".

JC - E o que você fez para dar continuidade ao trabalho no Márcia e Marô e fazê-lo crescer ainda mais?

Léo - Não tinha e não tenho ?grana? para investir de uma vez. O jeito é saber investir o que se tem. Buscar coisas novas, saber apresentá-las e tratar bem cliente e funcionários é o segredo.

JC - E como você coordena tudo isso?

Léo - Para o negócio andar pra frente temos que fazer acontecer. É preciso duas coisas - equipe e organização. Estou cercado de bons funcionários que chamo de parceiros. É preciso integração entre todos, por isso eu mesmo é que dou os treinamentos. Penso que meus funcionários, meus parceiros, devem olhar para mim e saber o que eu estou pensando. Quero que enxerguem as coisas como eu enxergo. Assim criamos uma sintonia necessária.

JC - E no caso do Roccaporena?

Léo - È um espaço todo novo. Segue a mesma perspectiva que temos. Assim como os outros empreendimentos, buscamos a qualidade e conforto. A ?W? (danceteria), por exemplo, quando foi lançada, inovou na questão de casa noturna com música eletrônica. O Roccaporena atende hoje uma fatia do mercado que não estava sendo afetada. Na cidade tínhamos salões pequenos ou muito grandes.

JC - Como surgiu esse acordo?

Léo - A história dessa parceria é muito bacana. Ninguém imaginava um acordo entre uma igreja e dois empresários. Mas aconteceu. E isso para mim tem um sabor especial porque minha mãe sempre foi muito ligada à igreja, nós sempre tivemos preocupação em ajudar as pessoas. Por exemplo, o altar que até hoje está lá na igreja Santa Rita foi conquistado com arrecadações de festas organizadas pela minha mãe.

JC - Qual o diferencial deste salão?

Léo - Acho que o bacana do Roccaporena é o fato de ser um salão agradável. Nós vendemos sonhos, seja de casamento, aniversário de 15 anos, eventos etc. Mas uma coisa que não se compra é a sensação. Por isso tentamos fazer um espaço o mais agradável possível, com bom atendimento além do bom serviço.

JC - Com tanta dedicação para o trabalho, sobra tempo para a diversão?

Léo - Sim, sobra e o tempo que tenho procuro aproveitar ao máximo. Estou descobrindo uma coisa fantástica que é viajar com minha esposa e meu filho. Gosto de viagens, de mergulhar, de conhecer lugares diferentes.

JC - Isso seria uma forma de suprir o que ficou em falta lá atrás, na sua adolescência?

Léo - Com certeza. Hoje busco explorar minhas vontades junto com minha família.

JC - E qual o segredo para um negócio de sucesso?

Léo - O segredo é fazer tudo com ousadia e trabalhar duro para saber o valor de cada tijolo colocado.

JC - Você se acha bem sucedido?

Léo - Profissionalmente e pessoalmente. Ter sucesso no ramo de prestação de serviços é muito difícil e posso dizer que conquistamos isso. Hoje consigo balancear o tempo que sobra com o trabalho, e isso é fundamental.

JC - Você nasceu, foi criado e constituiu vida em Bauru. Acha que seu filho vai seguir o mesmo caminho?

Léo - Não. Meu filho se parece muito comigo, mas tem a cabeça mais bem formada. Puxou um pouco a mãe (risos). Acredito que eu mesmo, se não fosse pai cedo, teria ido embora. Acho que esse é o caminho dele.

JC - Mas você trocaria Bauru?

Léo - Não, hoje não. O que aconteceu foi que Bauru ficou muito tempo parada. O último bom prefeito que tivemos foi o Franciscato (Alcides) que tinha ao seu lado o Jurandyr Bueno no governo. Eram como o JK e o Niemeyer. Só agora, de uns 5 anos pra cá, é que parece que a coisa vai andar novamente.

JC - E você tem planos de expandir ainda mais os negócios na cidade?

Léo - Estou com um projeto para uma outra casa da "W". A planta, inclusive, já está na prefeitura. Acredito que em um ano já teremos mais essa nova casa. Como disse antes, dinheiro, "grana" a gente não tem, mas temos que saber fazer as coisas com ousadia e com vontade. O trabalho valoriza a conquista.

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