Regional

Movimentos populares ?agitam? a região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Os movimentos populares mais recentes no Brasil nos remetem ao "Fora Collor" e ao movimento dos sem-terra, ocorridos nas grandes metrópoles e com grande aglomeração de pessoas. Mas na região de Bauru movimentos de menor proporção agitam os municípios contra a corrupção. Com a bandeira da ?justiça?, jovens e pessoas engajadas em acabar com o não cumprimento das leis se ?jogam? na busca por soluções.

Em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), um grupo liderado por um professor de geografia ganhou notoriedade ao pressionar vereadores para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar despesas indevidas do Legislativo. O movimento ganhou força na comunidade graças a uma ferramenta antiga, a panfletagem, e uma mais contemporânea - as redes sociais, especificamente o Facebook.

Com essas ferramentas, o movimento mobilizou os moradores e conseguiu pressionar o Legislativo que aprovou a abertura da CEI em uma sessão da Câmara com mais de 300 moradores presentes. Mas a alegria durou pouco. Na sessão seguinte, os parlamentares recuaram, usando uma velha arma, manobras políticas. Porém, o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra os envolvidos.

Em Jaú (47 quilômetros de Bauru), um outro grupo se mo-bilizou para pedir que virtuais irregularidades da atual administração fossem investigadas. O arquivamento da Comissão Processante motivou os integrantes a distribuírem pizza, uma demonstração de que, na política tudo acaba em pizza, um jargão popular. Os estudantes não desistiram das ações e prometem cobrança sobre os atos públicos do prefeito e da Câmara.

Para o estudante da Fatec/Jaú Fernando José Salvador Pedro, 26 anos, que liderou o movimento de entrega de pizza, o movimento estudantil está renascendo. "Eu acredito. Eu enxerguei muito bem a situação no 2o Congresso da UNE, em julho passado, em Goiânia. Teve oito mil participantes contra cinco mil do anterior."

Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), uma pessoa que trabalha com carro de som usa o microfone para denunciar e esclarecer a população sobre seus direitos, especialmente quando percebe que os moradores sofrem nas filas das agências bancárias e casas lotéricas.

A pressão foi mal recebida pelos atingidos que procuraram o Legislativo. Na última semana, o trabalho de Marco Antonio Licerra, o "Chapéu", ficou restrito às propagandas. Ele não poderá mais usar o microfone para denunciar.

Os pronunciamentos ao vivo no local dos fatos tornaram "Chapéu" uma figura comentada na cidade. Por onde ele passa é reconhecido e sabe o nome das pessoas que encontra.

A prefeitura, que enviou o projeto de lei para regulamentar a propaganda em carro de som, jura que não é direcionada para inibir a ação específica.

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