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Após matar 16, Irene alaga Nova York


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Nova York - O Irene passou ontem de furacão para tempestade tropical, com a perda de velocidade de seus ventos, mas deixou um rastro de ao menos 16 mortos e 4 milhões de residências sem luz nos EUA. O fenômeno causou destruição bem menor do que se temia, mas derrubou milhares de árvores, provocou inundações e deixou várias regiões ainda em alerta nos próximos dias. A previsão da consultoria Kinetic Analysis é que o furacão tenha provocado um prejuízo de US$ 3 bilhões às seguradoras nos 11 Estados (mais o Distrito de Colúmbia, onde fica Washington) por onde passou.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, disse em conferência de imprensa que "o pior já passou para a maior parte da costa leste" e que a tempestade prossegue agora para a região da Nova Inglaterra e o leste do Canadá, já muito enfraquecida.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse a repórteres que considera acertada a decisão de retirar mais de 370 mil moradores de suas casas, e afirmou ter ido pessoalmente a abrigos congratular os nova-iorquinos que deixaram as áreas de risco.

Autoridades municipais disseram ainda que os aeroportos da cidade podem voltar a operar já amanhã.

Durante a manhã de hoje, a companhia de energia elétrica Con Edison afirmou que 21 mil pessoas estavam sem energia no Queens, 7,5 mil no Brooklyn e 6,7 mil no Bronx, além de 18,2 mil pessoas em Staten Island, enquanto quase 66 mil seguem sem luz no condado de Westchester e 166 mil no Estado vizinho de Nova Jersey. A companhia ainda não divulgou um balanço atualizado.


Vítimas

Seis pessoas morreram na Carolina do Norte, três na Virgínia, duas em Nova Jersey e uma em Connecticut, Flórida e Maryland. As vítimas faleceram em acidentes de trânsito, por ataque cardíaco ou em quedas de árvores, incluindo um menino de 11 anos atingido por uma árvore dentro de casa, na Carolina do Norte.

"Atualmente, é possível ver algo do céu", afirmou Joseph Bruno, comissário dos serviços de emergência da cidade, ao canal CNN. "Há áreas da cidade que estão inundadas, mas em geral considero que superamos (a passagem da tempestade)".

Bruno lembrou, no entanto, que a cidade tem muitos danos, como milhares de árvores derrubadas, as áreas inundadas e o lixo.

A brasileira Andrea Dandrea relatou que muitos voltaram às ruas da cidade, embora os efeitos da tempestade estejam por toda a parte.

"Aparentemente, Manhattan sobreviveu ao Irene. A cidade que nunca dorme (e que, apesar dos ventos fortíssimos, dormiu essa noite) volta a ter pessoas correndo no Central Park e passeando pela rua Central Park West, mas os vestígios da força do vento estão em toda a parte. Equipes de limpeza já iniciam o trabalho em Upper West Side. O vento ainda é forte, mas sem chuvas", disse.


Efeitos

Durante a manhã, o sul de Manhattan, sobretudo a região de Battery Park, foi afetado pelo transbordamento dos rios Hudson e East River, mas horas depois a água retrocedeu. A tempestade passou por Nova York com ventos de até 104 km/h, mas meteorologistas da CNN indicam que seu centro expandiu-se consideravelmente ao passar pela cidade. Como resultado, os ventos mais intensos ficaram nas bordas da formação da tempestade, e não no "olho", que passou sobre Manhattan.

Em momentos da cobertura ao vivo do canal, na manhã de hoje, repórteres chegaram a ver aberturas de sol no sul de Manhattan, enquanto em Nova Jersey ainda havia forte chuva. Os bairros de Coney Island, no Brooklyn e a região de Long Island foram as zonas mais afetadas pelo fenômeno.

A tempestade Irene se desloca para o norte a uma velocidade de 40 km/h. Já passou por Cape Cod, no Estado de Massachussetts, e pode ainda atingir Boston, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês).


Nova York

Embora a cidade tenha registrado inundações e ainda lide com milhares de árvores derrubadas e quedas de energia elétrica, em grande parte as autoridades estimam que Nova York foi "poupada" pelo Irene.

Os efeitos do Irene começaram a ser sentidos na cidade já na noite de ontem, com fortes chuvas, relâmpagos e ventos fortes. No entanto, após uma inédita ordem de retirada para mais de 370 mil pessoas, Nova York passou quase ilesa pelo temido furacão rebaixado a tempestade tropical, o primeiro a ameaçar a cidade desde o Gloria, em 1985.

Nova York virou uma "cidade fantasma" desde o meio-dia de anteontem, com transportes públicos suspensos, aeroportos e lojas fechadas.


Prejuízos

Os danos provocados pela passagem do furacão Irene podem alcançar bilhões de dólares, afirmou o governador do Estado de Nova Jersey, Chris Christie, em entrevista à emissora NBC. "Devo imaginar que a estimativa dos danos ficará em bilhões de dólares, ou em dezenas de bilhões", acrescentou.

Analistas estimavam prejuízos ainda maiores se Nova York, capital econômica do país e sua cidade mais populosa, com 19 milhões de habitantes, caso registrasse danos a sua estrutura.

O Irene tocou ontem o solo pela segunda vez nos Estados Unidos, desta vez em Nova Jersey, ainda como um furacão de categoria um, com ventos de 120 km/h.

Mais de 8 mil voos foram cancelados, em particular nos aeroportos de Nova York, JFK, LaGuardia e Newark.

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