Trípoli - A perseguição de africanos subsaarianos por rebeldes na Líbia se tornou motivo de preocupação de organismos humanitários. Ontem, o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, lançou um apelo para que o grupo seja "completamente protegido" na Líbia.
Os africanos vindos de países como Níger, Chade e Sudão se tornaram alvos por serem dessa região grande parte dos mercenários contratados por Muammar Gaddafi para lutar contra os rebeldes.
"Vimos anteriormente que estas pessoas, principalmente os africanos, podem ser especialmente vulneráveis a hostilidades ou atos de vingança", disse Guterres.
A pesquisadora da Anistia Internacional Diana Eltahawy disse ao jornal britânico "Guardian" que os rebeldes parecem ter se aproveitado da "xenofobia já existente" para perseguir os negros.
Mas os rebeldes não estão livres de processo pelos crimes cometidos. O Tribunal Penal Internacional - que pediu a prisão de Gaddafi, seu filho Saif al Islam e o chefe da inteligência, Abdallah al Senussi- deixou uma brecha para qualquer lado ser julgado.
"Outros casos serão abertos, se necessário, levando em conta o escopo da criminalidade cometida (...) na Líbia", diz o texto do TPI enviado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em abril. Consultado pela reportagem, o TPI disse que conduz uma "investigação imparcial".
Para o professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo André de Carvalho Ramos, não há como analisar a situação na Líbia sem investigar todos os atores envolvidos. "Mas entendo que na investigação do TPI, isto já está previsto."