Olá, pessoal! O prazer de voltar a este caderno, narrando as peripécias vividas no mundo da pesca, é muito gratificante. Imaginem vocês, o susto e a surpresa vivenciados por este apaixonado pela pesca, lá, bem no meio do Pantanal. Estávamos no confortável rancho do amigo Chaves (que não é o da TV mexicana, mas sim, o meu amigo do antigo Banespa), lá em Porto Esperança, no magnífico rio Paraguai. Estávamos preparando a pesca para o dia seguinte e eu resolvi pegar algumas iscas vivas (pequenos lambaris e sauás), num pequeno riacho, próximo ao rancho, cujas águas rasas descem das encostas, em direção ao imenso e histórico rio Paraguai, provindas da parte mais alta das montanhas que circundam a margem esquerda do rio, oferecendo-nos um cenário exuberante. Pequena varinha de bambu na mão direita e, na esquerda, uma latinha preciosa, bem geladinha, "refrescando até o pensamento"! Como isca, o conhecido "macarrãozinho" já tinha ajudado a fisgar alguns "peixinhos" que nadavam saltitantes dentro do balde, aprisionados, prontos para serem devorados pelos enormes dourados que, se Deus ajudasse, estariam à nossa espera no dia seguinte.
Agora, vejam o que ocorreu! Repentinamente, o pequeno riacho começou a diminuir de tamanho; suas águas foram escasseando pouco a pouco e, como num passe de mágica, simplesmente, secou! A água desapareceu por completo, deixando à mostra o fundo arenoso, repleto de algas ainda molhadas e escorridas por entre pequenos galhos! Que coisa espantosa! Assustado, saí em desabalada carreira, gritando pelo Chaves, que, alheio a tudo o que se passava, preparava um delicioso churrasco. "Larga tudo e vem comigo", ordenei desesperado! Juntos, de volta ao local, eu quase pirei! Estava tudo como antes, pois o pequeno rio voltara a correr novamente! Como é que pode meu Deus? O Chaves já começou a falar em me internar, assim que chegássemos a Bauru.Teria sido uma alucinação?
Confesso que fiquei preocupado com minha saúde mental. "Será que estou ficando louco?", pensei. Mas, graças a Deus, a explicação para aquele fenômeno chegou rapidamente. Os amigos Sidnei e Cirineu que estavam a navegar no caudaloso rio Paraguai, chegaram contando algo inusitado. Eles haviam ancorado o barco alguns quilômetros acima e adentraram pela mata, buscando conhecer a região. O susto deles foi maior do que o meu! Deram de cara com uma enorme sucuri, medindo mais de 18 metros. Inacreditável! De acordo com a narrativa do "Sidão", ainda trêmulo e assustado pelo que vira, a sucuri gigante ainda tinha visível na sua enorme boca, o rabo de um jacaré que estaria sendo devorado lentamente. Pois bem, aquela monstruosa cobra estava atravessando o mesmo riacho onde eu pescava minhas iscas, porém, alguns quilômetros acima. Devido ao seu enorme peso, a sucuri se arrastava vagarosamente, quase parando. Não deu outra. Ela foi represando o rio ao longo de seu corpo e a água se desviou por um tempo, tomando um novo caminho. Depois da cobra terminar a travessia, o pequeno riacho voltou a correr em seu leito original. Ainda bem que eu não estava ficando louco. Ufa! Que alívio! Mas, assim mesmo ficamos apavorados e resolvemos cair fora. Já pensaram se a cobra resolve visitar o rancho? Um abraço aos queridos amigos do saudoso Banespa dos "bons tempos" e aos amigos "pescadores de cerveja" assíduos fregueses do "Saudosa Maloca" da dupla dinâmica Batman e Robin, digo, Fernando e Eduardo. Cuidado com a cobra!!!!!!
Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador
de histórias.