Política

Emdurb aumenta preços em silêncio

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) descobriu o "mapa da mina" e voltou a resolver seu problema de custeio interno ? o que inclui estrutura com acomodação de cargos de confiança ? com o aumento de serviços que são pagos pelos bauruenses através do cheque assinado todo mês pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O pior é que a conta fica mais salgada para a população do jeito mais fácil para o presidente Nico Mondelli Júnior: aumento no valor de serviços prestados ao município bem acima da inflação.

Ao invés de enfrentar seus problemas estruturais, a canetada tem sido a saída encontrada pela Emdurb desde a gestão Tuga Angerami. No governo Rodrigo não tem sido diferente. Neste mês, o prefeito assinou a renovação de mais dois contratos anuais de serviços com a majoração de itens acima do acumulado inflacionário dos últimos 12 meses (6,87%). A coleta de lixo domiciliar, o maior faturamento da empresa municipal, teve o preço ampliado em 9,55% (de R$ 80,92 para R$ 88,00 a tonelada). A operação do aterro sanitário teve acréscimo mais comedido, de 6,1%, saindo de R$ 42,31 para R$ 45,15. Na verdade, a Emdurb é uma quarteirizada neste item, já que aluga até a máquina que remove o lixo no aterro.

Nem o prefeito, nem o presidente da Emdurb se interessaram em divulgar os aumentos nos contratos. A publicação do extrato reduzido saiu lá no meio do Diário Oficial de Bauru (DOB) por exigência legal. "Nós temos trabalhado com cotações de preços com o mercado e aplicamos nossos custos para o contrato firmado com a prefeitura", comenta Nico.

Poderia cair no esquecimento que a coleta de lixo, por exemplo, já havia tido aumento no custo pago pelo bauruense em 11% em 2010. A varrição também ficou 25,4% mais cara no ano anterior e, surpresa, há 12 meses a direção da Emdurb se "sensibilizou" e adequou o escorchante preço do funeral assistencial (serviço que inclui o caixão (urna), transporte, etc) de R$ 1.265,00 para R$ 882,00. Entretanto, para enterrar os mais humildes em 2011 a prefeitura passou a pagar R$ 1.088,00 por ocorrência.

Em funerária particular, a urna simples, com os mesmos serviços da Emdurb embutidos, sai por R$ 850,00. "Nós não tínhamos uma pesquisa de preços e custos organizada e agora nós passamos a fazer isso. Em 2010, reduziu o preço do funeral assistencial para chegar perto do preço do mercado e agora a pesquisa apontou que tem de corrigir com o mercado", argumenta Nico Mondelli, em um exercício de "chutômetro" verbal que vai doer na canela do próprio governo, já que ele sucedeu a Rubito Ribeiro neste mesmo governo.


Cheque ao portador


Nico reconhece, por outro lado, que a política de "adequação" de preços comparando com o mercado está a plena vapor, enquanto que o ajuste nas estruturas internas continua sob planejamento. Com isso, a Emdurb segue se valendo da mãezona prefeitura para pagar suas contas com a canetada no preço dos serviços lançados na nota fiscal, enquanto permanece uma "mãezona" com seus defeitos e cabides.

"A Emdurb incrementou seu orçamento nos últimos anos ampliando serviços e cobrando por áreas que não cobrava, e isso gerou uma dívida enorme. Agora temos maior produtividade em algumas áreas e inclusão de serviços que não eram lançados, como a área de sinalização vertical e horizontal", recorda o presidente.

O fato é que os novos contratos vão garantir R$ 1,3 milhão a mais pelos próximos 12 meses. O contrato anterior anual foi de R$ 19,1 milhões e vai para R$ 20,4 milhões. O orçamento total, com essas medidas, vai ultrapassar os R$ 30 milhões e, não muito distante, a arrecadação já foi a metade disso.

O "pulo do gato" embutido nas contas, que sequer foram divulgadas pela empresa municipal, está no repasse para o bauruense de custos que representam, por exemplo, a previsão de gastos adicionais com o plano de saúde particular concedido aos funcionários, também estimado em algo perto de R$ 1,4 milhão no início do ano. É a Emdurb aplicando a regra de "mercado" para cobrar do bauruense pelo serviço que prestado e aplicando a lógica "pública" na hora de não resolver seus defeitos. O cheque sai da prefeitura que, por sua vez, retira a diferença do escasso orçamento dividido para atender às reivindicações de todos os bauruenses.

Preços dos serviços


(em R$) 2010 2011
Capinação - 0,59 - 0,59

Varrição - 42,31 (Km) - 45,15

Aterro - 42,31 - 45,15

Lixo domiciliar - 80,92 - 88,00

Funeral assist. - 882,00 - 1.088,00

Cemitérios - 172,5 mil - 187,5 mil

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