Em meados de 1996, com a gravidez de minha esposa, passei a procurar coisas do bem para o nosso rebento que estava por vir. Não tive dúvidas, passei a assistir à TV Cultura, a TV que faz bem. E como fez! Conheci um dos melhores programas que já vi em toda a vida: o Castelo Rá-Tim-Bum. A obra-prima de Cao Hamburger era uma ideia genial, suas personagens Biba, Zequinha, Pedro, Tio Victor, Morgana, Mau, Abobrinha, Bongô e, principalmente, Nino, o menino de três séculos em forma de menino, nem Matusalém faria tal feito e confeito!
O Nino de Cássio Scapin era simplesmente sensacional, isso sim era garoto de programa. Como era bom torcer por Nino pelos arredores e corredores do Castelo, somente e só mentem os Cegos do Castelo que não querem ver, com exceção de Nando Reis, obviamente da mente óbvia!
Nino é a infância a que todos aspiram e por que conspiram, ele é o homem que nasceu homem e não se metamorfoseou em máquina. Vale a pena guardar para sempre para humanos que estão por vir e porvir!
Em 1986, na extinta e não extinta Fafil, conheci o Wagnão, professor de Biologia, "Seres ou não seres, eis a questão!". Wágner Gonçalves Teixeira, ser que sabe ser, amigo é algo raro, amigo é caro sendo caro. Wagnão me ensinou que família é algo mais que uma Coca-Cola grande, família não é somente e tão somente uma música dos Titãs, família era a família Teixeira, todos por um e um, às vezes contra todos. A família de Wagnão é o coletivo que luta pelo individual, o ser que é seres. Wagnão quis estudar todos que o permearam. Wagnão quis o ser antes do ter e, ao meu ver, conseguiu!
No entanto, a família de Wagnão, em tempos tão modernos e não eternos, possuía e possui um patriarca, o senhor Ângelo, o Tio Ninô!
Ninô, a exemplo de Nino, ajudou na formação de meus filhos, principalmente do primeiro. Lembro-me dele querendo levar o meu Sinuhe para procurar índios pelo Mary Dota, querendo mostrar que vaca não é dinossauro, e rimos muito certa vez que o Ninô reclamou do Fágner cantando uma certa música em parceria com a Joana, dizendo que ele atrapalhara a canção, ou ainda procurando um poço em Santelmo ou caindo da moto ou exaltando ou xingando o Norusca!
Ninô está a rir neste momento, ri do homem, ri do lobisomem, ri com Deus, ri das pessoas que choram por ele, porque Ninô passeia por um castelo entre fazendas e animais e ri de como esse tal de homem é animal! Deus te cole, Ninô! Força, Família Teixeira!
Professor Sinuhe Daniel Preto