Saúde

Combate às doenças crônicas começa na escola


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Abusar de alimentos com baixo valor nutritivo e alto valor calórico, ser sedentário, e, até mesmo fumar e consumir bebidas alcoólicas são atitudes que geralmente têm início na adolescência, mas que terão reflexo na saúde para o resto da vida.

Estes fatores estão associados ao desenvolvimento da maioria das doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, diabetes e câncer, que lideram as causas de óbito na vida adulta no País e no mundo.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2009 entre adolescentes de 9ª série do ensino fundamental nas 27 capitais do País, considerou que, em 2009, 43,1% dos alunos eram suficientemente ativos, mas, no entanto, 79,5% gastam mais de duas horas por dia em frente à televisão. O sobrepeso atingiu 16% e a prevalência de obesidade foi de 7,2% para o conjunto das capitais.

Os levantamentos também alertam que jovens estão entre os grupos mais vulneráveis para o tabagismo e o consumo de álcool. No Brasil, onde o consumo de álcool também é associado às mortes por causas violentas e aos acidentes de trânsito, a exposição ao álcool tem início precoce: 71% dos estudantes de 9º ano avaliados na PeNSE relataram que já haviam experimentado álcool e 27% haviam consumido bebidas alcoólicas nos trinta dias anteriores. Quase 25% desses alunos disseram que haviam se embriagado pelo menos uma vez na vida.

A coordenadora geral de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, considera, porém, que a adolescência é também um período favorável para adoção de novas práticas e comportamentos, quando os jovens tornam-se mais independentes.

"A presença, neste período da vida, de determinados fatores de proteção, como alimentação saudável e atividade física, contribui para a promoção e preservação da saúde da população, com ganhos de curto e longo prazo", salienta.

Com uma atenção especial à prevenção das doenças crônicas, o Programa Saúde na Escola (PSE) foi lançado em 2008 para contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública da educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.

Em parceria, os ministérios da Saúde e da Educação integram as redes de educação e o Sistema Único de Saúde.

Comportamento saudável
deve começar cedo


Mais da metade dos 5.565 municípios em todo o Brasil ? precisamente 2.812 deles ? estão aptos a receberem o incentivo federal para desenvolverem um conjunto de ações para reforçar cuidado, prevenção e promoção à saúde dos alunos brasileiros, incluindo ações concretas para o enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis.

A partir da ideia de prevenir as doenças crônicas não transmissíveis por todo o ciclo da vida, as ações iniciam-se durante a gravidez, passando pelo estímulo ao aleitamento materno, pela proteção à infância e à adolescência e continuam na fase adulta.

Alimentação saudável e educação alimentar na escola, com a promoção da aquisição de alimentos frescos, atividade física na escola e no contraturno, além da prevenção ao uso de álcool e drogas fazem parte da política de saúde que está se intensificando nas escolas. Além disso, o Ministério da Saúde defende a regulação de propaganda de alimentos para o público infantil.

Uma vez assinado o termo de compromisso com o Programa Saúde na Escola (PSE), o município assume um conjunto de ações obrigatórias. Entre outras tarefas, deve fazer pelo menos uma vez ao ano a avaliação antropométrica dos alunos, que inclui pesagem, para calcular o índice de massa corporal (IMC), e a medição, de forma a avaliar a curva de crescimento das crianças. Com isso é possível avaliar se o desenvolvimento das crianças e jovens está normal e se há casos de sobrepeso. Nas escolas, as equipes do Saúde da Família também aferem a pressão arterial, identificando casos de hipertensão, e fazem testes para encontrar sinais e sintomas de diabetes.


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Brasil avança no combate ao tabagismo


Os brasileiros estão fumando menos. Pelo menos é o que demonstra uma pesquisa realizada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a pedido do Ministério da Saúde.

Os estudos mostraram que de, 2006 a 2010, a porcentagem dos brasileiros que fumavam caiu de 16,2% para 15,1%, e o índice no País é bem menor que o registrado em países como Argentina (35%) e Estados Unidos (40%).

O aumento de impostos sobre o produto e a inclusão de advertências mais explicitas, juntamente com a proibição da publicidade tabagista, contribuíram para essa redução. A lei que proíbe fumar em locais fechados também é um dos fatores para a redução do número de fumantes.

Se por um lado o resultado é animador, outro dado preocupa as autoridades de saúde. É que a pesquisa aponta que ainda é grande o número de fumantes passivos. Dos entrevistados na faixa de 34 a 44 anos, a maior parte convive com pelo menos um colega que fuma no local de trabalho, o que corresponde a 12,8% das pessoas que não fumam.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), pelo menos 2,6 mil não fumantes morrem no Brasil em conseqüência do fumo passivo. Mas o principal foco na luta contra o tabagismo é mesmo os jovens. Dentre eles, na faixa de 18 a 24 anos, 13,3% moram com pelo menos uma pessoa que costuma fumar dentro de casa.

O médico oncologista Leandro Ramos, da Oncomed, afirma que "o fumo deixou de ser uma doença de adultos. E, para a indústria, é interessante promover uma campanha maciça sobre os jovens, pois quanto antes eles passarem a consumir o produto, melhor".

No Brasil, isso acontece, em média, aos 17 anos. As conseqüências do vício sobre eles, alerta o médico, são mais danosas do que sobre os adultos.

Os resultados da pesquisa realizada pela Vigitel têm relação direta com a taxa de câncer de pulmão, já que 90% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de tabaco e seus derivados. A fumaça do cigarro contém mais de 4 mil substâncias nocivas ao organismo.

O oncologista Amândio Soares, também da Oncomed Belo Horizonte, explica que o pulmão tem muitas veias e está ligado a todo o corpo, o que facilita a metástase, e isto agrava muito a situação da doença e dificulta o processo de cura.

"É uma doença silenciosa, que avança sem que o doente note que ela está ali", explica o médico. Entre os sintomas estão a tosse, rouquidão, presença de sangue no catarro, falta de ar e a dor torácica.

Além de prejudicar a saúde, fumar também afeta o orçamento. Segundo a Pesquisa Especial do Tabagismo (PETab), uma família composta por um casal de fumantes gasta, em media, por mês R$ 128. Por ano são R$ 1.536 gastos somente com a compra de cigarros, o que representa quase três salários mínimos. Com esse dinheiro, seria possível comprar, em abril de 2011, um refrigerador duas portas (R$ 1.439,10), uma lavadora de roupas 9kg (R$ 1.070,10) ou até uma TV 32" LCD Full HD (1.199,00).

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