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Égua recolhida deixa carroceiro sem trabalho

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

A vida do carroceiro Antonio Marcos Domingues, 39 anos, não tem sido fácil. Há três meses a rotina do morador do Jardim Eldorado se resume em buscar uma solução para retomar em definitivo o trabalho comprometido desde quando teve seu equino, utilizado como meio de transporte e ferramenta de trabalho, recolhido, já em 21 de abril passado.

O animal de pelagem escura e caracterizado por manchas brancas na testa e em partes do corpo, fonte de renda do trabalhador, foi tomado em um fim de tarde pelo suposto dono acompanhado pela Polícia Militar (PM). "Eu estava em casa e deixei o animal pastando no terreno de esquina (na rua José Gonçalves, s/n), como de costume. Foi então que um vizinho veio me chamar dizendo que a polícia estava levando minha égua", diz.

Domingues conta que ao chegar no local se deparou com dois policiais militares em uma viatura aguardando o recolhimento do animal por um homem identificado por Tadeu de Jesus Ribeiro de Carvalho. O carroceiro diz que ao indagar o policial foi comunicado que tratava-se ali de uma ação de recolhimento de produto de furto, ou seja, que seu animal teria sido roubado em Agudos, onde reside o suposto dono.

A PM informa que Tadeu de Carvalho, residente em Agudos, apresentou documento de posse do animal e B.O. registrado em sua cidade na ocasião e, como não houve recusa por parte de Domingues, o equino foi entregue ao suposto dono.

"Não tinha o que fazer na hora. Fiquei em estado de choque. Não tenho nenhum documento comprovando que comprei o animal, e pra falar a verdade, hoje em dia ninguém tem isso", afirma Domingues.

Menos de uma semana depois o carroceiro registrou um B.O. de apropriação indébita (artigo 168) no Plantão Policial. "Não adiantou nada, fiquei sem resposta", explica o trabalhador que procurou a Polícia Civil, desta vez no 1º Distrito de Polícia (DP), onde foi elaborado um requerimento para que o policial que atendeu a ocorrência na ocasião, fosse ouvido.

Anexos ao requerimento estão os depoimentos das duas testemunhas levadas por Domingues: José Carlos Adorno e Laércio Bruno, respectivamente, apresentados como primeiro e segundo donos da égua.

"Faz muito tempo que adquiri uma égua de um amigo chamado Marcos, quando fiz uma troca com um cavalo que tinha. Fiquei com a égua por cerca de uma semana e depois eu a vendi para o Laércio por aproximadamente R$ 1 mil. Posteriormente o Laércio fez uma troca, passando a égua para o Antonio Marcos. O antigo dono, conhecido por "Jura", a pegou quando ainda era uma potranquinha, sendo que ficou com ela muitos anos. Ele acabou falecendo e a esposa dele se desfez da égua", diz o depoimento de Adorno, o primeiro dono.

Já Laércio Bruno declarou que "há cerca de 4 ou 5 anos atrás" fez um "rolo" com Antonio Marcos com uma égua que tinha adquirido de José Carlos Adorno, trocando-a por um cavalo.

O carroceiro procurou o Ministério Público e foi orientado a ingressar com ação judicial em Agudos, onde reside o suposto dono de sua égua.

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