Escolas públicas de ensino fundamental de todo o país receberam neste mês a primeira edição do kit Provinha Brasil de Matemática. A avaliação que será aplicada nas turmas de segundo ano foi elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com o intuito de medir a alfabetização matemática das crianças. Para preparar a prova o instituto do Ministério da Educação (MEC) contou com o trabalho efetivo de três faculdades federais (do Pará, Rio de Janeiro e Pernambuco) e do Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental (Cecemca) da Unesp de Bauru, única entidade estadual a participar do processo.
Uma das coordenadoras do kit, a professora Mara Sueli Simão Moraes, da Faculdade de Ciências (FC) de Bauru, conta que a intenção é auxiliar os profissionais de ensino e contribuir com que haja uma semelhança entre o conteúdo ensinado nos primeiros anos da escola no País. "São três objetivos diretos. Fazer o diagnóstico, pensar em políticas públicas de formação continuada e, o que para mim seria o mais importante, diminuir a desigualdade no sistema de ensino brasileiro. Essa é a grande diferença em relação aos outros testes, como a Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que servem mais como indicadores para o ministério", diz.
A coordenadora explica que a análise do próprio trabalho do professor faz parte de um processo de continuidade garantido pelo MEC em relação ao programa do Pró-Letramento. "Em 2005 nosso grupo viajou por algumas partes do País para disseminar o Pró-Letramento, que é um programa que visa o professor do 1º ao 5º ano. É por isso que estamos conquistando esse direito de trabalhar na realização da Provinha. Preparamos os professores, indicamos a matriz de estudos a ser repassada aos alunos e agora preparamos a prova que avaliará o trabalho em sala de aula. Para exemplificar, é como se uma equipe lhe instruísse a fazer uma prova e depois outra aplicasse. Não adiantaria, pois as questões poderiam ser diferentes e uma análise não seria tão precisa", conta.
Aplicada desde 2008 com o intuito de medir a evolução da alfabetização da língua portuguesa nas crianças, a Provinha Brasil terá pela primeira vez a avaliação matemática, em princípio, em prova única. A expectativa é que a partir de 2012 sejam duas avaliações, a exemplo da Provinha de leitura.
Alfabetização
A matriz utilizada é organizada em quatro eixos que contemplam os principais blocos de conteúdos trabalhados na escola. "Neste sentido temos Números e Operações, Geometria, Grandezas e Medidas e Tratamento da Informação", explica a professora Mara Sueli.
Segundo ela, a avaliação desses valores estabelece a relação conhecida como alfabetização matemática. "Essa denominação caracteriza-se pela compreensão dos significados das operações, e corresponde ao mesmo sentido estabelecido na alfabetização de linguagem, como é mais conhecida", conclui.
Trabalho em Bauru começou em 2009
A equipe da Unesp Bauru, que conta hoje com seis profissionais, esteve engajada desde 2009 na elaboração da Provinha. Docentes e pesquisadores entrevistaram 58 professores de Matemática de escolas de Bauru, Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Rio Branco (AC) e São Luis (MA), para entender a realidade do ensino da disciplina na Educação Básica.
Em parceria com as demais faculdades federais, a Unesp elaborou mais de mil questões, sendo que foram estabelecidos 20 exercícios de múltipla escolha que formam o caderno de aplicação. Desses, dez foram feitos por pesquisadores da Unesp. "Para nós essa é uma grande conquista, e reafirma o compromisso da Unesp em formação continuada e formação de bons profissionais", ressalta.
O caderno elaborado e que deve ser aplicado nas escolas de todo o País apresenta 20 questões com quatro opções de respostas. Cada uma dessas avalia uma habilidade explícita na Matriz de Referência de Avaliação da Provinha Brasil de Matemática. "Essa matriz corresponde a um conjunto de saberes que se espera que os alunos tenham adquirido após o início do processo de alfabetização matemática, ou seja, nos dois primeiros anos", explica a professora.
A Provinha deve ser aplicada pelo próprio professor de cada sala ou por outras pessoas indicadas e preparadas pelas secretarias de educação municipais ou estaduais. Além do caderno, as escolas recebem também um Guia de Aplicação, com os procedimentos de aplicação das questões; Guia de Correção e Interpretação de Resultados, com as orientações para a correção do teste, bem como as possibilidades de interpretação e uso dos seus resultados.