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Redução de juros afeta fundos DI e CDBs


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São Paulo - A vida do investidor de renda fixa ficou mais difícil desde a semana passada.

A agressiva redução de juros promovida pelo Banco Central terá impacto direto em alguns dos produtos financeiros mais populares oferecidos pelos bancos, como os fundos DI e os CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

Esses fundos, por serem pós-fixados, acompanham de perto a trajetória da Selic: se a taxa básica cair, a rentabilidade vai ser prejudicada.

O mesmo vale para os CDBs do tipo DI ou pós-fixados, que pagam ao investidor uma fatia do chamado CDI, o juro de mercado similar ao juro básico determinado pelo BC.

E, no curto prazo, esse quadro não tende a mudar, pois economistas avaliam que novos cortes da taxa básica de juros estão a caminho.

Uma grande instituição americana já mencionava a taxa Selic a 11% no início de 2012, ante os 12% fixados na quarta-feira passada.

Nesse contexto, as taxas de administração ganham cada vez mais importância para o investidor atento.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, fundos com taxas acima de 1,5% ou 2% já deixam ser competitivos em comparação com a poupança, isenta do IR (Imposto de Renda) e da cobrança desses encargos.

Esse impacto também varia em função do tempo em que o dinheiro está aplicado: até seis meses, a alíquota do IR bate 22%; acima de dois anos, cai para 15%.

Nos grandes bancos, para ter acesso a produtos com uma taxa abaixo de 2%, em geral se exige que o investidor tenha aplicado pelo menos R$ 10 mil. No caso de taxas de 1,5% ou menos, em torno de R$ 50 mil.


Impactos

Para Fabiano Lima, pesquisador do instituto Assaf, o investidor deve ter cautela antes de mexer em suas aplicações.

"Esse quadro de queda dos juros não é garantido. A inflação ainda pode sofrer repiques nos próximos meses", afirma Lima.

"Acho que o melhor conselho para o investidor é que espere mais alguns meses, para ver o que o Banco Central deve fazer, antes de efetivamente movimentar suas aplicações", acrescenta.

Lima lembra dos encargos de saída para mexer nos investimentos: quanto menor o tempo de aplicação do dinheiro, maior a mordida do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no momento do resgate.

É preciso também ponderar as alternativas: o investidor precisa ter capital suficiente para pedir a migração para um fundo com uma condição mais vantajosa, ou negociar a aplicação em um CDB que pague um percentual maior do CDI.

O professor da Fundação Vanzolini, Ricardo Rocha, sugere dois caminhos para investidores insatisfeitos. Uma das alternativas é ir para o Tesouro Direto, que oferece menores encargos, mas somente permite resgate semanal das aplicações, em vez de diário, como nos fundos.

A segunda opção é buscar aplicações em bancos de menor porte, que em geral oferecem produtos a custos mais competitivos.

"Nesse caso, ele precisa ficar restrito aos limites garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito)", diz.

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Queda aquece investimentos na bolsa


São Paulo - A queda nos juros prejudica as operações em renda fixa mas costuma beneficiar os investimentos na Bolsa de Valores, especialmente no Brasil - que possui a segunda maior taxa do mundo.

Isso porque, quanto menor for a rentabilidade da renda fixa, mais os investidores terão de migrar para aplicações de maior risco para garantir ganhos mais altos.

"A tendência da taxa de juros é fundamental para a evolução das ações", afirma Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora.

No dia seguinte à decisão, a Bovespa subiu 2,87%, refletindo o ânimo dos investidores com a queda da Selic.

As incertezas sobre a economia dos países desenvolvidos, no entanto, podem reduzir o efeito benéfico da redução de juros para a Bolsa.

Para Martins, a volatilidade deve permanecer nos mercados, mas a sinalização do BC pode atrair investidores estrangeiros para o país.

"Eu acho que o Brasil está em um momento bom. Então, a expectativa é que sofra com os problemas no exterior, mas menos que lá fora", diz Paulo Levy, diretor da Icap.

Segundo ele, ações de empresas do setor de consumo e os bancos tendem a se beneficiar do novo cenário.

Martins cita ainda grandes companhias com bons fundamentos, como Brasil Foods e Ambev.

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