Quioshi Goto |
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Emilly Victória Gonçalves, no PAI |
A umidade relativa do ar chegou a 12% na tarde de ontem, em Bauru, e colocou a cidade em estado de alerta. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os níveis considerados adequados estão acima dos 60% e, abaixo do patamar atingido ontem, já representam estado de emergência. Para efeito de comparação, o índice registrado entre 10% e 15% é semelhante ao do deserto.
Por conta dos prejuízos que a baixa umidade pode provocar à saúde humana, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) determinou, ainda ontem, a suspensão da queima da palha da cana-de-açúcar em 40 municípios da região, em qualquer horário do dia. A determinação - que também atinge outras cidades no Estado - baseia-se na resolução nº 22 da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) e é adotada sempre que a umidade alcança níveis inferiores a 20%.
O objetivo, além de proteger o meio ambiente, é reduzir os riscos à saúde da população. Com o nível de 12% registrado entre 17h e 18h de ontem pelas estações de medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), muitas pessoas, especialmente crianças e idosos, tiveram de procurar ajuda médica por apresentarem sintomas decorrentes da baixa umidade do ar. Com apenas 11 anos, Kimberly Margarida da Conceição Melo foi levada pela mãe, Selma Adriana da Conceição Melo, ao Pronto-Socorro Infantil (PAI) no início da noite de ontem.
Além de estar com o nariz sangrando, ela tossia por sentir a garganta ressecada, reclamava de falta de ar, dor de cabeça e ardor nos olhos. Segundo a mãe, os sintomas apareceram há 15 dias, mas se agravaram ontem, quando o dia ficou ainda mais seco.
“Ela ficou muito abatida. Tenho mais três filhos e todos estão reclamando deste tempo, mas a Kimberly é que ficou realmente ruim. A gente tenta amenizar, dando água, mas não resolve muito. Acho que só com chuva mesmo”, avalia a mãe.
A pequena Emilly Victória Cornélio Gonçalves, de apenas 11 meses, também foi atendida no PAI na noite de ontem. Por conta de tantas oscilações no tempo, acabou contraindo pneumonia, diagnosticada, por sorte, em seu estágio inicial.
“Uma hora chove, outra hora fica semanas sem chover. Uma hora faz frio, outra faz 35 graus. Nem a gente suporta tanta mudança o tempo todo, imagina uma criança, que é bem mais sensível”, reclama a avó, Ester Pereira Cornélio, que carregava Kimberly, já mais bem disposta depois de fazer inalação e ser medicada com soro. “Um pouco de hidratação já ajuda, mas ela terá de tomar uma série de remédios até se recuperar”, completa.
Fogo irresponsável
Mesmo diante dos enormes e comprovados danos à saúde que esta época de estiagem provoca, algumas pessoas ainda insistem em atear, de maneira irresponsável, fogo em terrenos baldios. Conforme o JC noticiou, no final do mês passado, dois incêndios de grandes proporções foram registrados num intervalo de menos de 10 dias.
Da mesma forma, diariamente, muitas usinas desrespeitam o horário estabelecido por lei e fazem a chamada “queimada controlada” nos canaviais. No último dia 30 de agosto, o Jornal da Cidade flagrou a queima da palha da cana-de-açúcar num canavial às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), em Pederneiras. A fumaça, que podia ser vista de longe, fez a manhã virar noite e assustou quem passava pelo local.
Segundo a OMS, com índices de umidade relativa do ar entre 12% e 20%, a recomendação é suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h; umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água; evitar aglomerações em ambientes fechados; utilizar soro fisiológico para olhos e narinas; sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol e consumir água à vontade.
Proibição
De acordo com a determinação divulgada no site da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), os municípios em que estão proibida a queimada de cana-de-açúcar são: Águas de Santa Bárbara, Agudos, Arealva, Areiópolis, Avaí, Balbinos, Bariri, Barra Bonita, Bauru, Bocaina, Boraceia, Borebi, Botucatu, Brotas, Cabrália Paulista, Cafelândia, Duartina, Dois Córregos, Espírito Santo do Turvo, Gália, Garça, Ibitinga, Igaraçu do Tietê, Itapuí, Itaju, Lençóis Paulista, Lins, Lucianópolis, Macatuba, Mineiros do Tietê, Pederneiras, Paulistânia, Pirajuí, Piratininga, Pongaí, Pratânia, Presidente Alves, Santa Cruz do Rio Pardo, São Manuel e Ubirajara.
Quem for flagrado descumprindo a legislação estará sujeito a multa. As denúncias podem ser feitas à agência da Cetesb em Bauru pelo telefone (14) 3203-2058 ou por meio do Disque Meio Ambiente, que é o 0800-113560.
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Veja esta notícia na íntegra na edição desta terça-feira (06) do JC.

