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Polícia investiga sumiço de adolescente

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Permeado por um enredo complexo e pouco usual, o desaparecimento de uma adolescente de 17 anos desafia a Polícia Civil de Bauru. Moradora do Jardim TV, Jussara Márcia de Deus Santos desapareceu no último dia 1º, depois de ser aprovada em uma entrevista de emprego. Por alguns dias, ela chegou a comunicar-se com os pais por telefone, mas, depois do dia 4, nunca mais fez contato.

A garota estaria na companhia do suposto novo patrão, José Bispo Spindola, com quem os pais e a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que assumiu o caso, conversaram nos últimos dias. Em todas as ocasiões, o homem - que seria proprietário de uma empresa de transportes registrada em Pirajuí - teria se comprometido a levar a menina ao encontro da família, mas nunca cumpriu o combinado.

Na noite de anteontem, por exemplo, o empresário teria dito ao titular da DIG, delegado Kleber Granja, que deixaria Jussara em um distrito policial da Capital, mas os funcionários da unidade informaram que a jovem não apareceu no local. Segundo Granja, nenhuma hipótese é descartada, inclusive a de sequestro. "Existe um leque de possibilidades muito grande, incluindo ainda corrupção de menores, cárcere privado, tráfico de adolescente, prostituição infantil e até homicídio. Nenhuma delas está descartada. A menina pode, inclusive, ter decidido viajar espontaneamente por alguns dias com esse empresário e voltar para casa por conta própria", enumera.

Segundo o pai de Jussara, o pintor Júlio Marcos Dias dos Santos, 39 anos, a adolescente, que procurava emprego, teria desaparecido um dia depois de ir a uma lan house na Vila Nova Cidade Universitária para imprimir currículos. Ao conversar com um funcionário do estabelecimento, teria sido aconselhada a deixar um dos papéis para ser entregue a um conhecido dele.

"Este conhecido seria este José Bispo, que estaria contratando moças para trabalhar como representantes de vendas. Então, minha filha deixou o currículo na lan house e, à noite, o Bispo ligou para marcar uma entrevista", detalha o pai, que acompanhou a garota na entrevista de emprego, realizada na manhã do dia seguinte, na própria lan house.

"Ele falou que ela seria contratada e receberia R$ 1,2 mil por mês. Falou para eu ficar tranqüilo e que ele iria levá-la no escritório para iniciar um treinamento, já que ela não tinha experiência. Achei que estava tudo certo", relata Santos. Seria a última vez em que ele veria a filha.


À força


À noite, Jussara telefonou para casa, avisando que retornaria às 19h e, depois, à meia-noite. O pai acredita que ela tenha sido forçada a mentir. "Ela disse que estava com outras meninas em um hotel e pediu minha permissão para dormir lá com elas, mas não deixei. Mesmo assim, ela não voltou. Acho que tinha alguém obrigando ela a falar tudo isso, porque ela nunca agiu assim", pondera.

Na manhã do dia seguinte, Jussara avisou, por telefone, que seguiria para São Paulo a trabalho. Questionado pelos pais, Bispo avisou que a adolescente não queria voltar para casa. "No domingo, ele disse que estava com a Jussara em Avaré. Foi a última vez que falei com a minha filha e ela disse que iria voltar para casa. Ele prometeu que a levaria até um trevo de Pratânia, mas não apareceu", lamenta o pai.

Na última segunda-feira, Santos foi até Pirajuí e encontrou a mãe de Bispo, que ligou para o filho e escutou dele a promessa de que traria a garota a Bauru. Anteontem, o delegado da DIG também entrou em contato com o empresário. "Mas, hoje (ontem), ninguém mais conseguiu falar com ele", revela o titular da DIG. A reportagem também tentou falar com Bispo, mas ele não atendeu as ligações.

De acordo com Granja, embora ainda não haja comprovação efetiva de prática criminosa, as investigações prosseguem com o objetivo de devolver a adolescente aos pais. "Estamos trabalhando com cautela, mas tomando as providências necessárias em várias frentes", destaca, adiantando que, na próxima segunda-feira, o funcionário da lan house que indicou a vaga de emprego à jovem será interrogado. Preliminarmente, entretanto, ele não é suspeito de estar envolvido no caso.

Já o empresário que estaria com Jussara possui passagens pela polícia por estelionato e porte ilegal de arma de fogo. Segundo Granja, não há evidências de que garotas do Interior do Estado estejam sendo aliciadas para desenvolver atividades ilícitas na Capital.

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?Ela jamais nos deixaria?,
desabafa o pai da jovem


Inconformado com o desaparecimento da filha Jussara Márcia de Deus Santos, o pintor Júlio Marcos Dias dos Santos contou o drama vivido pela família desde que a jovem não voltou mais para casa, no último dia 1º de setembro. Leia trechos da entrevista concedida ao JC.

JC - A Jussara é sua única filha?

Júlio Marcos Dias dos Santos - Não. Tenho mais três meninas e um menino. Ela é a filha mais velha.

JC - Você não desconfiou que a oferta de emprego poderia ser um golpe? Quando decidiu procurar a polícia?

Santos - Achei estranho ela ter sido entrevistada em uma lan house e o empresário oferecer R$ 1,2 mil para uma menina sem experiência, mas acreditei que poderia dar certo. Fui na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para registrar boletim de ocorrência no dia seguinte (2 de setembro). Minha esposa e eu ficamos desesperados.

JC - O senhor não considera a possibilidade dela ter decidido fugir de casa?
Santos -
Não. A Jussara sempre foi uma menina obediente, estudiosa. Tem 17 anos, já terminou o Ensino Médio e está fazendo um cursinho gratuito. Sempre avisou a gente onde iria e nunca voltou para casa fora de horário. E a gente estava montando um salão de cabeleireiro para ela. Ela queria trabalhar um tempo nessa empresa de transportes para juntar dinheiro e colocar uma porta de vidro no salão. Jamais ela nos deixaria assim.

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