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Os deuses do Olimpo

Maria Luiza Ferreira
| Tempo de leitura: 3 min

Uma amnésia crônica está atingindo muitos profissionais da medicina. É o esquecimento do juramento que fizeram a Hipócrates (460-377 A.C.). No texto consta uma maldição dos deuses do Olimpo para quem não cumpre com os deveres de "nunca causar danos ou mal a alguém". Volto a perguntar: o abnegado dr. Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, era estúpido e arrogante com os doentes? Ele tinha o péssimo costume de "guardar" seus instrumentos como bisturis, pinças, tesouras, gazes e luvas dentro do abdome de seus pacientes? Ele tomava estimulantes como café forte, chá preto ou guaraná para se manter acordado e mesmo assim dormia deixando seus pacientes a ver escunas? Alguma vez por engano ele retirou um dos rins de algum cidadão sadio que talvez estivesse ali inconsciente só para curar um pileque depois de uma festa de arromba regada a muito vinho em homenagem a Baco? Jamais. O mais surpreendente é que naquela época já havia a preocupação não só com a medicina preventiva e a dieta, como também o estilo de vida do paciente. Associavam as doenças com as causas ambientais, avaliando assim a saúde dos habitantes. Essa preocupação ambiental e o respeito com a saúde da população, foi no século V A.C. Hoje não existe mais. Já foi provado que o índice de mortalidade de idosos e internações de crianças sufocadas é bem maior na época das queimadas de canaviais da região e inclusive em plena zonas urbanas.. Mesmo assim essa prática criminosa continua com as bênçãos e aprovação de médicos e políticos canavieiros que pouco estão se lixando com a saúde da população, de seus pacientes e eleitores.

Enquanto muitos enriquecem, os moradores adoecem. As queixas sobre atendimento médico não são apenas do sistema público de saúde, mas também do particular. (É claro que ainda existem ótimos profissionais). Reclamam da frieza e da falta de ética de alguns médicos, que estão mais interessados no dinheiro do que num tratamento adequado. Alguns são preconceituosos com o próprio nome; não gostam de cheque nominal. Médicos que não olham nem tocam no paciente mesmo quando o problema é de pele. Simplesmente receitam loções e cremes caros e ineficazes. Outros quando tocam no paciente o fazem de maneira tão brusca que causa medo e dúvida se estão ou não sob efeito de algum alucinógeno. Falam ao celular na frente do paciente constrangido, depois o exame é muito rápido e displicente. Médico negligente e estúpido que comete erro grotesco como no diagnóstico de uma erisipela tratada como virose deixou o paciente com problema grave de circulação. Um outro sem vocação nem para ser veterinário, foi tão estúpido ao fazer um curativo que machucou uma paciente recém operada de uma renite, (aliás, cirurgia sem resultado positivo) agravando assim a recuperação da vítima.

Muitas pessoas se queixam que mesmo com muitos medicamentos, exames clínicos e laboratoriais caríssimos, inclusive em clínicas de outras cidades, não encontram alivio para suas dores reumáticas, da coluna e nervo ciático. Só para saber o diagnóstico de qualquer exame, o tempo de espera em alguns consultórios superlotados, varia de 2 a 4 horas exaustivas. E o resultado? Mais exames, novos medicamentos e o fígado intoxicado. O dinheiro vai e as dores ficam. Muitos pacientes são tratados como hipocondríacos e cobaias. Em uma reportagem que passou na TV, as clínicas e laboratórios onde passam os pacientes, oferecem bônus aos médicos para participarem de congressos em outros países. Se essas viagens que são financiadas pelos pacientes menosprezados e lesados, são importantes para os avanços da ciência, pelo menos voltem mais humanos e respeitem a fragilidade de seus pacientes, sejam crianças, adultos e idosos na hora em que mais precisam, não só de um tratamento digno, mas também de carinho, compreensão e paciência.

O doente maltratado fica com seqüelas: traumas, depressão, sistema imunológico afetado e passa a ser vítima desses cidadãos gananciosos e insensíveis, que não estão preparados para exercer essa profissão tão nobre, pela falta de ética e vocação.


Maria Luiza Ferreira ? artista plástica - Jaú

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