Neide Carlos |
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Bauru conta hoje com motos da Rocam, porém, o objetivo principal não é a radiopatrulha |
Em breve, motocicletas da Polícia Militar (PM) irão realizar patrulhamento em Bauru e atender ocorrências solicitadas ao 190. A medida é mais um dos reflexos do trânsito que não para de crescer na cidade. Segundo a polícia, com o aumento de veículos, torna-se cada vez mais difícil atender as solicitações da população nos horários de rush com as viaturas atuais. É a volta da radiopatrulha com motos, que deixou de ser feita desde a extinção do antigo Grupo Especializado em Patrulha com Motos (Gepom).
Atualmente, a PM de Bauru já conta com motocicletas no policiamento. Entretanto, elas fazem parte das Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam). “A Rocam é uma unidade que também faz parte da Força Tática e atua na prevenção criminal. As motos ficam em patrulhamento em avenidas principais e em áreas com estatísticas criminais de risco. Elas até atendem as solicitações do 190, porém, quando estão nas proximidades”, explica o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho.
Agora, as radiopatrulhas com motos estarão disponíveis essencialmente para atender ao 190. Garcia conta que a ideia teve origem na Capital, exatamente motivada pelo trânsito caótico. “Aqui, em Bauru, o trânsito é bem mais ameno, porém, em horários de pico, as vias principais ficam muito movimentadas. Nesses momentos, fica difícil se deslocar com uma viatura, mesmo sendo da polícia”, completa.
Em Bauru, o trânsito realmente está assumindo faceta de Capital. Pela manhã e no fim da tarde - nos momentos de pico - fica difícil atravessar “artérias” como a Duque de Caxias, Rodrigues Alves ou o trecho central da Nações Unidas.
Segundo o levantamento mais recente da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru, a cidade já acumula uma frota de mais de 211 mil veículos. De acordo com matéria publicada pelo JC no mês passado, o trânsito bauruense ganha a cada mês mil novos veículos.
Previsão
O tenente-coronel Garcia espera que as novas equipes de radiopatrulha comecem a operar entre um e dois meses. Segundo ele, inicialmente, serão duas novas motocicletas. “Não iremos utilizar o efetivo da Rocam justamente para não comprometer o trabalho que eles fazem. Começaremos com duas motos no projeto piloto. Iremos analisar a medida e, se comprovado que está dando certo, pode-se aumentar esse efetivo”.
O comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, afirma que o projeto já está sendo estudado há dois meses. O próximo passo, segundo ele, é fazer um planejamento dos primeiros locais onde essa radiopatrulha sobre duas rodas atuará com maior intensidade.
“Temos pontos bastante necessários na cidade. A Duque de Caxias, a Getúlio Vargas, a Nações Unidas e a Comendador José da Silva Martha são prioridades. Precisamos verificar para saber se há mais vias com tamanha necessidade”, aponta.
Além de atender solicitações de pessoas que ligam para o 190, as motocicletas irão, nos momentos em que não estiverem nessas ocorrências, atuar também na organização do trânsito. “Assim, poderemos contribuir ainda para otimizar o fluxo de veículos”, finaliza Nelson Garcia.
Treinamento
Como não serão utilizados policiais das Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam), será preciso realizar uma triagem para saber quais policiais já são motociclistas e treiná-los para o serviço. O comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, entretanto, acredita que isso não será um problema.
“Como há um rodízio muito grande nas unidades, existem muitos policiais trabalhando em outros postos e que já passaram pela Rocam. Assim, muitos deles têm essa experiência sobre duas rodas. Então, não vejo dificuldades nesse ponto”, finaliza Garcia.
