Em setembro do ano passado, a professora Claudia Simone Garcia foi procurar um pacote de viagem que se adequasse no seu bolso e atendesse aos seus anseios. Entretanto, faltando três meses para a data em que ela queria viajar, as opções estavam escassas e o passeio com a família foi adiado. Seguindo o adágio popular "gato escaldado tem medo de água fria", neste ano, ela se planejou e já está com as malas prontas.
"No ano passado, eu comecei a ver mais ou menos nesta época (setembro/outubro) e estava tudo bem difícil. Todos os pacotes que eu me interessa estavam com os preços lá em cima, por isso, tive que adiar a viagem", conta.
Neste ano, entretanto, ela fechou desde maio o pacote de um minicruzeiro pela costa brasileira com o marido e os quatro filhos. "Resolvi me antecipar justamente por isso. Fui atrás com meses de antecedência. Consegui achar um roteiro muito bom e que se encaixou no meu orçamento. Ainda pude perceber que, além da viagem, o gostoso é realmente planejar", conta a professora.
Ela explica que, como já havia o planejamento da viagem no ano passado, a frustração de toda a família foi grande. Também por essa razão, hoje a expectativa é ainda maior. "Vai chegando a época e parece que não passa. Porém, estamos vivendo toda essa expectativa e está sendo muito gostoso", afirma.
O mini-cruzeiro agendado para o final de dezembro sai de Santos, passa em Búzios e Ilha Bela e volta para o ponto de origem. "A criançada também está muito ansiosa. Como estavam com esperança de ir no ano passado, estão com mais vontade ainda. Já entraram até na Internet para ver como é o navio. Essa espera e os planos que estamos fazendo estão criando um clima muito gostoso", finaliza Claudia Garcia.
?Atrasada?
Assim como Claudia, Rosemeire Cervantes Doro, 46 anos, também é professora. Apesar de terem a mesma profissão, não realizaram o mesmo planejamento para o fim do ano. Enquanto uma já está com as malas prontas, a outra chegou "atrasada" e está com dificuldades para encontrar um roteiro ideal.
"O preço está bem salgado. Comecei a pesquisar agora, em setembro, e está difícil. Já tinha visto alguns pacotes antes e estou notando um aumento de R$ 500,00 em relação a alguns meses atrás. Tive alguns problemas familiares e não pude me planejar. Agora, tenho que lidar com isso", conta Rosemeire Doro.
A professora quer fazer um cruzeiro pela costa brasileira que, atualmente, está em média R$ 2 mil. "E eu preciso decidir logo. A cada dia, o preço sobe ainda mais", afirma. Apesar da incerteza, ela ainda não tem um "plano B" e, por isso, conta que, provavelmente, vai ter que "apertar" o orçamento. "Vou ter que acabar me apertando para viajar. Se for no ano que vem, com certeza, irei começar a procurar antes", conclui.
Quem ainda quer arrumar malas abusa de estratégias
O publicitário Rafael Cavaca, 28 anos, passou Ano Novo e Natal últimos em Buenos Aires, na Argentina. Entretanto, ele optou por fazer tudo particular, sem intermédio de operadoras ou agências de viagens. Mesmo faltando três meses e sem nada comprado, ele espera voltar ao país vizinho com a família para as festejos que marcam o fim de 2011.
"Eu quero levar meus pais e irmãos para passar a data lá. Comecei a pesquisar somente agora e estou achando que está mais caro do que o ano passado", conta.
Ao contrário dos conselhos de operadoras e agências, em 2010, ele deixou para comprar sua passagem em dezembro, poucos dias antes da viagem. Como sistematizou e planejou tudo sem passar por agências e operadoras, o publicitário utilizou uma estratégia que espera repetir neste ano.
"Abrem voos alternativos no fim do ano. E acabam tendo preços mais acessíveis. Espero que ocorra o mesmo neste ano", conta o jovem, que ainda não possui um plano alternativo para as datas. "A expectativa é de que a viagem ocorra", finaliza.
Quem ainda quer arrumar malas abusa de estratégias
Antigamente, viagens eram vistas como itens de luxo no orçamento de uma pessoa ou mesmo de uma família. De acordo com agências e operadoras de turismo, essa concepção está mudando ao longo dos anos. Márcia Villaça é agente de viagens e atua no ramo há 20 anos, tendo acompanhado muito bem essa evolução.
"Hoje, em conversas com passageiros, percebemos que sentem que viajar não é mais uma questão de luxo. Muitos deles, cansados da correria diária do trabalho e o estresse, enxergam a viagem como uma necessidade", aponta.
Segundo ela, o aumento de renda do brasileiro nos últimos anos também contribuiu para essa mudança. "Há alguns anos, ver alguém de classe média fazendo uma viagem para a Europa era algo impensável. Hoje, isso já é comum".
O gestor geral de uma operadora de viagens em Bauru Elton Santos também confirma essa evolução, porém, vê certo limite no Interior. "Estamos tendo a cada dia mais passageiros de primeira viagem, entretanto, o fator cultural ainda prevalece no Interior. Muitos continuam achando que é algo inacessível", acredita Santos.
Carnaval programado
E se a recomendação das agências e operadoras de turismo é planejar com seis meses de antecedência a viagem, quem quer curtir o Carnaval em algum desses roteiros muito procurados já deve começar a se programar. Segundo a coordenadora de lazer de uma agência de turismo em Bauru, Ludmila Bottini, a busca já começou.
"Já tem gente comprando para o Carnaval. Esta semana mesmo teve um pessoal procurando pacotes no Caribe para passar a data", explica. Passar o Carnaval em uma ilha caribenha, como Punta Cana e Aruba, custa, em algumas agências, média de R$ 5 mil por pessoa.
Faixa etária
A agente de viagens Aressa Daffi Martins explica que o ideal na hora de escolher o destino e o estilo do passeio é saber o que se está procurando. Por conta disso, faixa etária e comportamento determinam a procura.
"Os mais jovens querem baladas, como em Punta Del Leste, o Caribe, Cancun e, no Brasil, em Porto Seguro. Agora para quem quer mais sossego, os resorts são ótimas pedidas", aconselha.