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Dr. Automóvel: Mais perguntas de leitores 2a parte

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Continuamos nesta semana a responder as perguntas de interesse geral. Passo a responder mais uma, de nosso amigo leitor Reinaldo Santos, que fez logo 5 perguntas e vou respondê-las uma a uma:

"1- Motos com arrefecimento a ar, geralmente as pequenas, quando rodam muito em baixa velocidade, aquecem demais o motor e diminuem a vida do óleo?"

Não é bem assim. Um motor é projetado para funcionar direito na pior condição, assim deverá funcionar melhor ainda em situações ideais. Então, o fabricante especifica o óleo em função da situação menos favorável, ou seja, trabalhar com carga máxima e temperatura elevada e a partir daí define a hora da troca. Lembre-se que a troca é especificada em quilômetros rodados e, desde que a moto esteja rodando, independente da velocidade, deve-se seguir a orientação do fabricante para a troca. Só quando a situação é de anda e para constante, com o motor sempre funcionando e a moto parada, por exemplo, é que se recomenda antecipar a troca por segurança. É o mesmo procedimento recomendado a taxis e veículos de carga urbana, guinchos ou agrícolas, pois o motor continua funcionando mesmo com o veículo parado.

"2- Rodar com os giros do motor baixos, ele se desgasta menos?"

De novo, não é bem assim. É claro que vai diminuir o atrito interno quando se roda a rotações menores, o que gera menos temperatura também e menor desgaste do que em alta rotação. Mas existe um problema, que é a geração de potência do motor. Como a potência aumenta com a rotação, se usar o motor muito lento poderá não ter a potência necessária para cada situação e o motor ficar sobrecarregado e se desgastar mais do que trabalhar com folga. Daí ser importante o uso correto do câmbio, esticar e trocar as marchas na hora certa.

"3- Encontrei há alguns dias atrás, um cara que colocou um esticador na corrente na sua 125, ele jura que ganha pelo menos 20% de vida útil na relação da moto, será verdade?"

Aí eu digo: é bem provável que sim, só não garanto que sejam os 20% que ele alega. O que acontece com a relação de transmissão é o seguinte: a corrente está presa entre o pinhão na saída do câmbio e a coroa na roda. Só que a balança da suspensão traseira está articulada em um ponto diferente do pinhão, portanto a roda ao subir e descer altera a tensão na corrente, deixando-a mais frouxa ou esticada de cada vez. Um esticador faz com que o assentamento da corrente sobre as rodas dentadas seja mais constante e perca aquela flutuação lateral da corrente, que desgastaria a coroa. Portanto, é bem provável que com o esticador ele possa ter conseguido sim um bom aumento de vida útil da relação.

"4- Você tem alguma dica para melhorar a visibilidade da viseira em dias de chuva?"

A melhor recomendação é deixar a viseira bem limpa e sem gordura, lavando-a com água e detergente. Depois seque bem com papel absorvente macio, para não riscar. Assim o vapor da respiração fica mais difícil de se condensar e sai com qualquer ventinho de ventilação forçada no capacete. Viseira suja permite que a condensação grude mais e fica difícil de se dissipar mesmo com ventilação, às vezes até piora. Existem produtos no mercado que afirmam desembaçar a viseira aplicando uma leve camada spray do produto, mas precisa testar antes para ver se funciona mesmo. Nunca passe álcool sobre a viseira, que afeta o plástico.

"5- Em motos com partida elétrica (as pequenas), o sistema dura menos que uma de partida a pedal? A minha, como falei é 08 com pedal, está com 55 mil km troquei a vela com 50 mil só porque estava muito enferrujada, a bateria é original, tive sorte ou não tem nada a ver?"

Mais uma vez, não é bem assim. A bateria é um componente eletroquímico, ela se desgastará com uso ou sem uso pelo tempo decorrido. Claro que se for dada partida elétrica muito intensamente, a todo instante, haverá uma sobrecarga nas placas da bateria e se desgastará mais e em menos tempo. Mas para uso normal, a bateria dura tanto quanto. Ainda mais que para motos com partida a pedal, a bateria só serve para acender os faróis e lanternas e manter a faísca do motor, portanto é bem mais fraca que a de uma moto com partida elétrica, assim como seu alternador. Agora, a vela deve ser trocada na hora certa para garantir a queima perfeita da mistura no motor, garantir a potência e diminuir as emissões de poluentes, veja no seu manual.


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