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Rodrigues de Abreu

Márcia Regina Nava Sobreira
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru temos diversos locais que recebem o nome de Rodrigues de Abreu. Em 1939, o primeiro Grupo Escolar de Bauru, localizado na avenida Rodrigues Alves, atrás da Catedral, passa a denominar-se Rodrigues de Abreu, passando, em 1954, o prédio para a av. Duque de Caxias, hoje Etec. A Biblioteca Municipal tem o seu nome. Na Academia Bauruense de Letras, a cadeira de nº 4, ocupada pelo professor Joaquim Simões, tem o seu patrono Abreu. Temos a Creche Rodrigues de Abreu, ao lado da sede Corpo de Bombeiros. A biblioteca do Tiro de Guerra de Bauru. Desde novembro de 1979, foi instituída a Semana Rodrigues de Abreu. A praça ao redor da Igreja Santa Terezinha tem o seu nome. Além de vários livros sobre a vida e obra já foram publicados. Afinal, por que tantas homenagens? Quem foi?

Benedito Luis Rodrigues de Abreu nasceu em 27 de setembro de 1897, em Capivari, filho de Narciso Rodrigues de Abreu e Leonor Ribeiro da Silva. Sempre foi uma pessoa de origem humilde, mas que demonstrava desde cedo vocação e um talento artístico muito grande. Embora também tivesse uma saúde frágil e que sempre necessitasse de cuidados. No ano de 1919, em Piracicaba, conseguiu publicar seu livro de versos "Nocturnos". Em Capivari, 1921, escreveu "A Sala dos Passos Pedidos" e o primeiro capítulo de Casa Destelhada. Em 1922, veio para Bauru trabalhar como escrevente no Cartório de Hipotecas da comarca. Foi nomeado em 21 de fevereiro de 1923.

Em Bauru, o poeta participou ativamente do Centro Católico organizando espetáculos de teatro amador, e representando como ator. Tornou-se orador oficial do Centro. Realizou várias conferências discutindo temas ligados a poesia e a vida. O poeta acompanhou de perto o movimento da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922. Era colaborador literário de jornais de Bauru, São Paulo, Piracicaba e outras cidades do interior. Publicou seu segundo livro "A Sala dos Passos Perdidos" em 1924, quando já era reconhecido entre os escritores nacionais. Daí em diante a tuberculose começou a se manifestar e para o tratamento foi ajudado por seus amigos que promoveram vários festivais em prol de sua saúde.

Mesmo enfermo, escreveu, em 1925, o poema "Bauru", dedicado à cidade que adotou. Em novembro de 1926, escreveu "Macega Florida" e o último capítulo de "Casa Destelhada", publicado em 1927. Em agosto de 1927, pressentindo a morte, escreveu "Balada da Nave de Nuvem" e veio a falecer em 24 de novembro de 1927, tendo sido sepultado no Cemitério Municipal da Saudade. Quase todos os jornais de São Paulo noticiaram sua morte e fizeram matérias homenageando o poeta, nas datas de seu nascimento e morte. As homenagens se constituíam de festivais, denominações de ruas, praças e espaços culturais com o seu nome. Capivari construiu uma herma em 1931, num jardim público. Na capital, em 1933, mudou-se o nome do largo da Guanabara para Praça Rodrigues de Abreu, e a Academia de Letras da Faculdade de Direito o adotou como patrono de uma de suas cadeiras. A bibliografia completa sobre o poeta compreende centenas de trabalhos que foram traduzidos para o espanhol, italiano e esperanto. Na década de 1970, ainda era comum encontrar estudantes acendendo velas em torno do túmulo de Abreu na véspera de provas. Os estudantes acreditavam que as orações e os pedidos feitos ao poeta os ajudariam. Santo, quem sabe!


A autora, Márcia Regina Nava Sobreira, é professora

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