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Santa Casa anuncia projetos a idosos

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 6 min

Fundada em 1911, exatos 15 anos após a emancipação do município, a Santa Casa de Misericórdia de Bauru completa hoje 100 anos e, de acordo com a atual gestão, planeja novos projetos visando resgatar o serviço de atendimento que impulsionou sua fundação. A meta para o fim deste ano e para 2012 é trabalhar mais em prol do idoso. Por isso, dois projetos estão sendo encabeçados pela Santa Casa.

"Temos dois grandes planos a serem executados. O primeiro e mais próximo de acontecer, é a criação de uma espécie de creche para os idosos, e o segundo, que deve demorar um pouco mais, é a construção de um Lar para Idosos", diz o monsenhor dr. Rubens Miraglia Zani, presidente da entidade.

Segundo ele, diretores da Santa Casa já estiveram reunidos com o deputado estadual e presidente do PSDB de São Paulo, Pedro Tobias, para apresentar o projeto do que seria um dos mais modernos centros de trabalho com idosos. "Estudamos durante muito tempo e preparamos um projeto audacioso que, no mínimo, custaria R$ 3 milhões ao que se refere à parte de construção, de erguer as paredes. Conversamos sobre o projeto e agora vamos entregar todo o planejamento para a assessoria do deputado, e esperamos ter uma resposta. Ainda não temos tamanho, dimensões, plantas definitivas ou coisas do tipo firmadas, estamos em estudo", explica o monsenhor.

De acordo com o dirigente, a dívida do Estado com a Santa Casa, que chegaria a R$ 60 milhões referentes aos precatórios (títulos judiciais) pela desapropriação da Maternidade Santa Isabel, poderiam ser utilizados na construção do espaço. "O problema é que nos foi oferecido como pagamento desse valor o prédio da maternidade. Só que não nos interessa, pois nossa parcela desses precatórios é de 30%. E o restante? Não teria como dividir o prédio para os outros". De acordo com o presidente, o restante da dívida referente à desapropriação do Hospital de Base (HB) foi "deixada de lado" pelo Estado. "Eles simplesmente não levaram adiante", conclui.


Dilema


Sem contar com uma unidade hospitalar desde 1977, a entidade segue instalada em terreno próprio de 13,4 mil metros quadrados na quadra 6 da rua Monsenhor Claro, no Centro e, como foi abordado em reportagem do JC no ano passado, ainda acumula em torno de R$ 2 milhões em caixa.

Em abril de 1978, buscando redefinir sua função, a Santa Casa fundou a fábrica de produtos farmacêuticos Santisa, com o objetivo de atender às demandas dos hospitais de Bauru e de santas casas de municípios vizinhos. Os lucros, segundo a diretoria, eram repassados a 35 entidades locais.

Ainda com dificuldades para manter os trabalhos filantrópicos aliados ao mercado, a Santa Casa decidiu encerrar as atividades da fábrica em 2002, mas só conseguiu vendê-la em 2005 para um empresário do ramo farmacêutico.

Hoje a diretoria desenha novos projetos para destinar a verba do seu caixa que, segundo o vice-presidente da entidade, João Batista de Sousa, mantém as reformas do prédio da entidade e os projetos de capacitação e aprendizado que contam com a ajuda de profissionais voluntários nas áreas de português, matemática, informática e secretariado, e que também funcionam no próprio espaço da Santa Casa.

"O grande problema é que primeiro nos tiraram o direito de trabalhar com o Hospital de Base e com a Maternidade. Depois aconteceu parecido com a Santisa, e buscamos agora um novo projeto para resgatar o pioneirismo da Santa Casa", completa.

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?Creche? depende apenas de espaço


Enquanto aguarda resposta do poder público para desenhar o projeto de um novo Lar para idosos, a diretoria da Santa Casa segue em busca de um local apropriado para instalar na cidade uma espécie de "creche" para idosos. "Esse é um serviço que ainda não vimos com frequência. Existem creches para as crianças, mas não existe um local apropriado para cuidar dos idosos trazendo dignidade à essas pessoas enquanto seus filhos ou netos estão trabalhando", comenta o monsenhor Rubens.

Segundo ele a intenção da entidade é comprar (com o caixa disponível) uma casa e fazer as adequações necessárias para atender os idosos. "Essa preocupação está estipulada em nossos estatutos. Há cem anos, nossa missão é cuidar de modo particular das duas pontas da vida que são mais frágeis, ou seja, o início que são as crianças, e também a velhice. E percebemos que essa área ainda é muito carente".

A projeção da entidade é que ainda neste ano consiga um espaço apropriado para que sejam feitas as adequações (colocação de rampas, corrimões etc) para dar início ao atendimento. "Nossa meta é poder colocar isso em prática o quanto antes", diz.

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Primeiro hospital


Primeiro juiz da Comarca de Bauru, foi Rodrigo Romeiro quem idealizou a fundação da Santa Casa de Bauru, ao lado de Luiz Vicente Figueira de Mello e Álvaro Caminha.

A iniciativa de 100 anos atrás foi imprescindível para atender a demanda da cidade que se consolidou ao longo do tempo como "coração de São Paulo".

De acordo com o atual vice-presidente João Batista de Sousa, a fundação da entidade e primeiro hospital de Bauru deu-se em caráter de emergência. "Já fazia 15 anos desde a emancipação e a cidade recebia muita gente devido sua localização e à estrada de ferro. Com muita gente vindo de todos os cantos do País, a proliferação de doenças como a febre amarela era gigantesca", comenta.

Dois anos após sua fundação, o primeiro prédio localizado entre a rua 1º de agosto e a Antonio Alves, já não suportava a demanda. "Depois de dois anos já foi inaugurado o primeiro prédio, que hoje funciona como sede administrativa da Santa Casa", comenta o vice-presidente da entidade apontando as janelas de vidro na porta da sala em que recebeu a reportagem do JC. "São resquícios de uma sala que servia de quarto do hospital. O vidro facilitava a observação dos pacientes".

Mais dois anos se passaram e um novo prédio foi construído. "De tão moderno para a época, esse prédio teve sua estrutura mantida até hoje no Hospital de Base", comenta o diretor vislumbrando a retomada do pioneirismo e da filantropia da entidade. "Nossa intenção é ajudar sempre os que precisam. E queremos continuar fazendo isso por mais 100 anos".


Comemoração


Como forma de comemorar a data histórica, a diretoria da entidade promove hoje, a partir das 10h na capela da Santa Casa, missa de celebração do centenário. "Também vamos entregar placas de homenagem aos familiares dos fundadores e de pessoas que foram fundamentais nesses cem anos", conta o monsenhor Rubens. Além das homenagens em placas, também será apresentado um vídeo institucional que resume a trajetória da entidade centenária.

A capela fica ao lado do prédio da Santa Casa, na quadra 6 da rua Monsenhor Claro, no Centro da cidade.

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