Geral

Morre Marco Aurélio Pinheiro Brisola

Márcia Duran
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru perdeu ontem, aos 81 anos, vítima de câncer, um dos maiores conhecedores de sua história política e cultural, o ex-vereador, advogado e professor Marco Aurélio Pinheiro Brisola, filho do falecido Octavio Pinheiro Brisola, prefeito de Bauru por duas vezes e deputado federal, que dá nome a uma importante avenida da cidade, na Vila Universitária. Na política, além de ter sido eleito vereador por um mandato, Marco Aurélio foi assessor da Câmara de Bauru e do ex-prefeito Antonio Izzo Filho. Também foi colaborador com artigos no Jornal da Cidade por vários anos.

Marco Aurélio, que era solteiro, morava na vizinha cidade de Piratininga já há alguns anos. O corpo foi velado durante todo o dia ontem, no Centro Velatório Terra Branca, em Bauru, e sepultado às 17h, no Cemitério da Saudade.

Brisolinha, como muitos o chamavam, foi diagnosticado com um tumor na bexiga em 99, passou por uma cirurgia e ficou bem até três meses atrás, quando houve uma metástase. "Ele sempre fez os exames direitinho desde a cirurgia e não foi detectado nada porque o câncer estava em uma área entre o osso e a cartilagem que não aparecia nos exames. Foi de uma hora para outra. Ele era meu pai, meu irmão, meu professor... E eu não tinha aprendido tudo o que precisava com ele", lamentou Andréa Tedesco, ex-esposa do sobrinho de Marco Aurélio, que era sua vizinha desde 1999.

Andréa conta que, nos últimos meses, três enfermeiras tomavam conta do tio avô de seus filhos. Ele não falava mais em consequência de um AVC, também provocado pelo câncer, mas morreu consciente, em casa, ao lado da enfermeira noturna. "Montamos uma espécie de quarto de hospital na casa dele. As enfermeiras se revezam dia e noite." Sobre aquele que considera uma das pessoas mais importantes de sua vida, Andréa é taxativa. "Ele sempre levou a vida do jeito que quis. Não era submisso a nada."


Boas lembranças

No velório ontem, grandes amigos se revezavam nas lembranças sobre Marco Aurélio, considerado um intelectual de memória privilegiada. O jornalista e professor Zarcillo Barbosa, grande companheiro de viagens internacionais de Brisolinha, lembra da rapidez de raciocínio do amigo. "Em cada país que a gente chegava, ele fazia a conversão das moedas de cabeça. Além disso, sabia toda a história do lugar. Eu não precisava me preocupar com nada."

Em uma época que não se falava tanto de sustentabilidade quanto hoje, Marco Aurélio não permitia que se jogasse um palito de fósforo no chão. "Era um cidadão exemplar, que distribuía justiça à sua maneira. Como raciocinava muito rápido e tinha muito conhecimento sobre tudo, as pessoas tinham medo de discutir com ele", relembra Zarcillo.

O advogado Jair Avalone lamentou a perda do ex-sócio de escritório. "Pelo brilhantismo dele, o Marco foi pouco aproveitado". Brisolinha era formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. "O Marco foi a pessoa que esteve comigo nos momentos alegres e tristes da minha vida", resumiu Avalone.

O ex-prefeito de Bauru Nilson Costa também lamentou a morte do amigo de juventude. "Eu vou sempre lembrar do intelectual e profundo conhecedor da história política e administrativa de Bauru."

Marco Aurélio foi professor no Instituto de Educação de Bauru e também no Liceu Noroeste. "Depois da aula, a gente ia no Bar Cinelândia para discutir política. Um dia, o Marquinho começou um debate com o Agenor Vieira e cada um defendia sua ideia sem arredar o pé. Tentando provar a sua teoria, os dois disseram que iriam pra casa buscar um livro para provar que estavam certos. Ficamos esperando, mas nenhum deles voltou", relembra, com humor, o proprietário do Liceu Noroeste, o empresário Dudu Ranieri.

O memorialista Luciano Dias Pires ressalta o grande repertório cultural de Brisolinha. "É uma perda para a história política e cultural de Bauru."

Comentários

Comentários