Reflexões como esta foram apresentadas no último Fórum de Marketing Industrial em São Paulo, pelo doutor e professor Paulo Paiva. Fazendo avaliação do comportamento do PIB brasileiro, foi interessante observar o quanto somos alinhados com indicadores mundiais. Outro dado importante refere-se às exportações, pois mais de 40% do que exportamos trata-se de commodities. Esta é uma grande evidência de oportunidade que perdemos de agregar valor, industrializar e vender produtos com muito mais valor de face, ou seja, ao invés de quilos ou toneladas, venderíamos unidades, onde empregaríamos muito mais gente e desenvolveríamos tecnologia própria para fabricação.
No mercado interno, a grande mudança é a ascensão da classe C, que promove grandes impactos nos serviços prestados e produtos desenvolvidos. O desemprego cai consideravelmente e o mundo está mais inseguro. Mercado ou o Estado quem comanda a economia?
Esta é uma reflexão polêmica e o governo precisa segurar as pressões existentes para não desequilibrar esta estrutura. Parte representativa da base aliada defende a estatização como opção ao País de vários serviços e empresas. Eu defendo a tese do Estado que normatiza, define regras e controla. As Agências reguladoras deveriam exercer um papel mais técnico e menos político. O governo empresário é um caos. Imaginem a empresa Vale se não tivesse sido privatizada. Empresas como Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, apesar da preponderante participação governamental, são administradas para competir nas áreas que atuam. E o fazem com sucesso, apesar das oportunidades de melhora numa Petrobrás, por exemplo.
Já os Correios, que insistem em monopólio para tudo que fazem, prestam bom serviço a um preço/custo para a sociedade elevadíssimo. A melhor solução para os Correios seria o monopólio nas cartas e telegramas somente. Os outros serviços a empresa deveria competir e aprimorar a sua gestão para praticar preços de mercado.
Na guerra entre o Estado ou o mercado, nós temos o fator câmbio pesando duramente nos dois lados e sem solução. Economistas ou políticos que decidem a política econômica?
A reflexão sobre este ponto nos submete a uma avaliação sobre o quanto navegamos em águas que podem mudar ou rever direção com muito mais facilidade do que imaginamos. Isto é bom ou é ruim? No Brasil enfrentamos riscos ou incertezas? A resposta e foco que eu mais gosto de apostar para este cenário é o das oportunidades. Em toda esta incerteza nós per-demos muitas oportunidades. Aí nos resta perguntar: o que é oportunidade? Será se todos entendem da mesma forma? É claro que não, e é por isso que precisamos nos acostumar com o nosso ritmo e velocidade deste nosso Brasil varonil.
O autor, Ricardo Coube - é diretor presidente do Grupo Tiliform