Polícia

Dona de casa é encontrada morta no PVA

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Uma dona de casa de 42 anos foi encontrada morta a facadas. A filha localizou  corpo da mãe, no início da madrugada de ontem, na residência onde elas moravam, no Parque Vista Alegre. Um dos suspeitos, que nega participação no crime, é o ex-genro da vítima. Ele chegou a prestar depoimento no plantão policial, mas foi liberado. O carro do seu pai foi apreendido para perícia.

Segundo Boletim de Ocorrência (BO) registrado pela Polícia Civil, quando Thaís Sampaio de Almeida, 17 anos, chegou em sua casa, na Alameda das Betônicas, nº 2-37, por volta da 0h10, encontrou a mãe Maura Sampaio de Almeida deitada na cama no quarto, de bruços, já sem vida, com três perfurações nas costas, provavelmente causadas por golpes de faca.

A adolescente contou à polícia que havia saído de sua residência por volta das 20h40, na companhia do namorado, para ir a uma quermesse. Quando retornou, segundo ela, o portão estava entreaberto e a porta da frente do imóvel trancada. Além da mãe, sua irmã mais nova, de 10 anos, também estava no local.

Quando a Polícia Militar chegou ao endereço, foi informada por Thaís de que seu ex-marido, o autônomo Adriano Junio Oliveira Pereira de Souza, 23 anos, poderia ser o autor do homicídio. A adolescente alegou que, momentos antes, havia visto ele caminhando a pé pela Avenida Moussa Tobias, que fica no mesmo bairro, próximo a um posto de combustível.

Souza foi localizado na casa do pai, na rua Pedro Barreiro de Figueiredo, bairro Pousada da Esperança II. Conduzido à delegacia, o jovem, que mudou-se para o Paraná após se separar da ex-mulher, prestou depoimento e negou participação no crime (leia a seguir).

Após determinar a apreensão de sua passagem de ônibus de volta ao Estado – a viagem estava marcada para hoje, às 12 horas -, do veículo pertencente ao seu pai e de uma mala de viagem, o delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros liberou o autônomo. O caso será apurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

O delegado informa que Souza é considerado apenas um suspeito. “Tem outras frentes a serem investigadas ainda”, diz. De acordo com levantamento extraoficial feito pelo Jornal da Cidade, a morte de Maura é a 25ª ocorrida neste ano em Bauru em circunstâncias violentas. O corpo dela foi enterrado no final da tarde, na cidade de Novo Horizonte. A reportagem do JC esteve por duas vezes na residência da vítima, mas nenhum familiar foi localizado para falar sobre o crime.


No local errado

No plantão policial, o autônomo Adriano Junio Oliveira Pereira de Souza, apontado pela filha da vítima como suspeito de assassinar a facadas a dona de casa Maura Sampaio de Almeida, disse à reportagem do JC que estava “no local errado” e “na hora errada”. “Eu estou aqui porque a Thaís me acusou. Eu não fiz nada, nunca ia passar pela minha cabeça matar ela (Maura)”, diz.

Ele conta que foi casado com a adolescente, com quem tem um filho de um ano e quatro meses, durante quatro anos. Nesse período, eles moravam ao lado da casa do pai dele, no bairro Pousada da Esperança II. Há aproximadamente um mês, após frequentes desentendimentos, a jovem resolveu se separar e mudou-se para a casa da mãe dela.

Um dos fatores que teria contribuído para o fim do relacionamento, segundo Souza, foi a morte do seu ex-cunhado, Diego Sampaio de Almeida, 20 anos, irmão da sua ex-mulher, num grave acidente de carro ocorrido no dia 20 de abril deste ano, na rodovia Cézario José de Castilho (SP 321), a Bauru-Iacanga.

Para ajudar a mãe a cuidar da sua irmã mais nova, e vivendo uma crise no casamento, a adolescente decidiu sair de casa com o filho enquanto o marido trabalhava. “Com medo de eu procurar ela ou ir lá na casa da mãe dela buscar ela para levar embora, ela fez um Boletim de Ocorrência”, revela. A Justiça, então, determinou que ele não se aproximasse dela.

Souza declara que chegou a tentar uma aproximação com Thaís, mas ela estava decidida a não reatar o relacionamento. Por insistência do pai, que temia uma atitude impensada do filho, ele acabou se mudando para a casa da avó, no Paraná, onde estava há cerca de 40 dias.

Anteontem, às 19 horas, o autônomo teria embarcado num ônibus em Londrina (PR) para visitar o filho em Bauru. “Eu cheguei meia-noite e liguei para o meu pai 0h10 para ele me buscar na rodoviária”, diz. “Só que eu não quis esperar na rodoviária, quis ir caminhando, subi a Avenida Moussa Tobias, liguei de volta para o meu pai e combinei com ele de me pegar num posto de gasolina”.

Ele acredita que sua ex-mulher o tenha visto nesse momento. “Eu acho que, na hora em que ela me viu, ela estava indo embora. Quando ela chegou na casa da mãe dela, ela viu a mãe dela morta, esfaqueada, e a primeira conclusão que ela teve é que fui eu o autor”, analisa.

Segundo o delegado Roberto Cabral Medeiros, a Polícia Civil deverá solicitar as gravações das câmeras de segurança dos locais onde Souza alega ter passado para confirmar sua versão.

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