A sociabilidade requer muito respeito, especialmente às ideias e condutas: é básico respeitar a cultura alheia no mundo globalizado. Na Austrália, a partir deste mês qualquer cidadão pode optar por colocar nos documentos que seu gênero é "indeterminado", não necessariamente masculino ou feminino.
- Você tem sexo? Sim, responde ofendido, quer que lhe mostre! Não é bem assim. Não temos sexo como algo concreto, o que se tem para mostrar são órgãos sexuais. Sexo se pratica, não se pode dizer: este é meu sexo! Se você nunca refletiu sobre isto deve estar confuso.
No balcão o hóspede preencheu a ficha. Logo depois o funcionário pede ao hóspede corrigir já que colocou seu sexo como feminino. O hóspede recusou corrigir pois gostava de praticar sexo com mulheres e não com homens e por isto que colocou feminino. Cada um escolhe a melhor forma de fazê-lo e ele prefere com mulheres, assim considerava seu sexo como feminino. O sexo pode ser feito individualmente, a dois, em grupo, com homem, mulher e até pela internet.
Avalizada por entidades mundiais, existe uma recomendação que se evite colocar em prontuários a opção sexo e trocar por opção gênero. A lei australiana em que se permitiu colocar gênero "indeterminado" nos documentos claramente se baseou nesta confusão entre gênero da espécie e sexualidade. Gênero pode ser feminino ou masculino, já sexualidade, infinita!
Nos dicionários encontra-se dubiedades e a recomendação não se prende a conceitos linguísticos, mas à necessidade de eliminar preconceitos aos que optem por uma determinada sexualidade. Um pessoa não faz cirurgia de mudança de sexo, mas de órgãos sexuais pois sexo é conduta e só o indivíduo muda, não o cirurgião!
A ciência trabalha com muitas espécies de animais e com humanos. Algumas revistas científicas aceitam que se descrevam grupos de pacientes e animais de acordo com o sexo, mas a maioria sugere ou exige que se use gênero. Nas pesquisas não se distingue a sexualidade do animal ou do paciente nos grupos experimentais, mas será que influenciaria nos resultados? Embora pareça óbvio, as mais frequentes práticas sexuais tem nomes que nem todos conhecem conceitualmente, a saber:
Heterossexual: aquele que se relaciona com o gênero oposto.
Homossexual: relaciona-se com o mesmo gênero e é denominado de lésbica ou gay.
Bissexual: relaciona-se com ambos gêneros.
Genderless ou sem gênero: aquele que não deseja ser enquadrado em nenhum tipo de sexualidade.
Genderqueer: se considera homem e mulher e transita entre os dois gêneros.
Genderfucker: não liga para estes conceitos e zomba de quem usa, confundindo a todos jocosamente.
Crossdresser: veste roupas do gênero oposto como fetiche, podendo ser homo, hetero ou bissexual.
Drag quem e drag king: se traveste de homem ou mulher para performances artísticas podendo ser homo, hetero ou bissexual.
Faux queen: mulher heterossexual que se veste e atua como drag queen.
Travesti: se veste como mulher e não se interessa por mudar os órgãos sexuais, sendo quase sempre homossexual.
Transexual: se sente desconfortável com sua anatomia e pode optar ou não pela mudança dos órgãos sexuais. Depois da cirurgia assume sexualidades variáveis como homo, hetero ou bissexual.
Tomboy: garota que gosta de vestir e agir como menino, mas não necessariamente é lésbica.
Em várias escolas do mundo, crianças estão sendo educadas sem distinção entre gêneros com textos e posturas pedagógicas sem referir-se a palavras como elas ou eles. Em algumas cidades questiona-se a existência de banheiros separados ou a falta de uma terceira opção para outros tipos de opção sexual para seus alunos! Pode-se concordar ou não, mas desconhecer ou ignorar o assunto não parece ser uma postura inteligente: discutamos o assunto!
No meio artístico o cartunista Laerte de 60 anos chamou atenção quando em 2009 resolveu se vestir como mulher o tempo todo e foi chamado de "crossdresser", mas ele mesmo se considera um "pós-gênero". Quando ele estava em banheiro público masculino um senhor entrou e ficou assustado; para tranquilizá-lo Laerte disse: - o senhor não está no banheiro errado! Já conformado o homem respondeu: - claro que não, eu estou na idade errada.
Quanto mais vivemos, mais tomamos contato com a diversidade; quando jovem a maioria não tem contato com as múltiplas facetas: na verdade isto tudo sempre existiu! Apenas os nomes são novos.