Neide Carlos |
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Ragonezi e Canedo mostram o terreno da Ceagesp onde será construída a loja do Atacadão, de 10 mil metros, equivalente a 30% do terreno cedido em comodato |
Começaram ontem as obras de terraplanagem em uma área de mais de 30 mil metros quadrados onde será construída uma unidade do Atacadão, do grupo Carrefour, dentro do terreno onde funciona a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em Bauru. Embora o Atacadão não divulgue oficialmente o investimento, devem ser destinados cerca de R$ 20 milhões para a obra, prevista para ser concluída até dezembro deste ano, segundo informações da Ceagesp.
O gerente operacional da Ceagesp, Antonio Carlos Sanches Ragonezi confirmou o resultado da licitação que concedeu ao Atacadão o direito de explorar a área por 15 anos, prorrogável por mais 15, em regime de comodato. O edital foi divulgado em julho e em agosto ocorreu a licitação.
A área que será ocupada pelo Atacadão fica na parte dos fundos da Geagesp, onde não há nenhum tipo de investimento e é a primeira em toda a rede pública de armazéns a ser ocupada por uma empresa privada. A rede é composta por 13 centrais atacadistas, distribuídas pelo estado de São Paulo, e está vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desde 1997.
Para ocupação do espaço, de acordo com Roberval Canedo, assessor executivo da presidência da Ceagesp, há dois anos a companhia estuda a parceria com empresas privadas e faz a avaliação de ociosidade dos terrenos. O objetivo é aumentar a receita da companhia. “Fomos buscar uma forma de locar essa área”, afirmou o assessor.
Depois de vencer a licitação e ter direito ao comodato, o Atacadão continuará pagando a locação mensal da área, segundo Ragonezi.
Agronegócio
A concessão da área pública só poderia ser feita, explicou Canedo, a empresas ligadas ao agronegócio. “Não podíamos abrir isso para uma agência de venda de carros, por exemplo”.
A Ceagesp de Bauru funciona em uma área de 100 mil metros quadrados, mas possui pouco mais de 7,4 mil construídos. Com o investimento, que deve ocupar inicialmente 10 mil metros quadrados, será dobrada a extensão de área construída. Além de um prédio térreo estão previstos estacionamento e docas de carga e descarga.
Atualmente a Ceagesp conta com 120 empresas e produtores, acomodados em 56 boxes e 180 módulos. Nos dois dias de venda forte, às segundas e quintas feiras, chegam a passar três mil pessoas pelo local. São comercializadas cerca de 4,5 mil toneladas de legumes, frutas, verduras e flores, entre cidades localizadas em um raio de 300 quilômetros.
“Tem muitas pessoas que vêm aqui e depois procuram outras lojas para fazer suas compras”, afirmou Ragonezi.
Esse é o primeiro grande investimento feito no entreposto de Bauru desde que foi criado, há 30 anos, garantiu o gerente. “Na medida do possível vamos disponibilizar essas áreas, porque o Ceagesp precisa de receita. O governo não repassa dinheiro”, afirmou Canedo.
“O governo não injeta dinheiro, mas nós também não mandamos dinheiro. A companhia se mantém”, complementou o gerente. Toda renda para investimentos é proveniente do aluguel pago por empresas e produtores. Com os recursos, a portaria central da companhia, que fica na avenida Parque das Nações, no Residencial Presidente Geisel, será reformada e adaptada ao aumento do fluxo. Internamente, também será ampliado o número de sanitários e o sistema de trânsito interno deve receber nova sinalização.
Além do espaço cedido ao Atacadão, ainda restam 17 mil metros desocupados dentro do recinto da companhia. O local onde será construído o distribuidor margeia a avenida Nações Unidas, mas o acesso à loja será feito apenas pelo portão principal da Ceagesp.
A assessoria do Atacadão/Carrefour informou ao JC, ontem, que a empresa não comentaria sobre o projeto, e nem confirmou os valores de investimento divulgados pela Ceagesp.
