Mal chegou a primavera e já cresce a expectativa pelo calor do verão. A estação que remete automaticamente às férias, ou pelo menos ao recesso de fim de ano, pede um lugar para se refrescar. É quando uma boa piscina se torna o espaço preferido da casa - na cidade, no campo ou mesmo na praia.
Com cores que fogem ao convencional e formatos bem ajustados ao ambiente ao redor, ela ganha em importância, ressaltando sua função estética. "A cor da piscina é que vai compor o conjunto. A escura dá um ar mais contemporâneo, a azul-claro cria sensação de amplitude e a verde fica muito bem em ambientes com muitas plantas", diz o paisagista Alex Hanazaki.
Em uma cobertura no Jardim Paulista, em São Paulo, o arquiteto baiano David Bastos optou por pedras pretas para inserir a piscina no universo urbano de prédios que a cercam. "A cor preta consegue manter a temperatura da água agradável por mais tempo e, com isso, a piscina fica com mais condição de uso, o que é fundamental em uma cidade com as temperaturas de São Paulo", explica Bastos.
Como uma atração a mais, a cor escura reflete as nuvens e os prédios, e a piscina vira um espelho. Na parte rasa, as espreguiçadeiras parecem flutuar sobre a água. No restante da cobertura, sem ser claro demais, o piso creme cria contraste interessante. Aqui está outro argumento de Bastos para fazer a piscina preta. "Uma piscina clara em uma cobertura poderia ofuscar a visão das pessoas por causa da luminosidade", diz.
Quente ou frio
Diferentes cores podem mudar o clima do lugar onde é instalada a piscina. Azulzinha, geralmente, dá uma cara mais quente, de verão mesmo. A verde pode dar um aspecto mais frio, de tranquilidade. Há ocasiões, porém, em que as aparências enganam. É o caso de duas piscinas em casas na região serrana do Rio. Com pastilhas azul-escuro, as duas podem até transmitir uma sensação mais fria e, no entanto, são quentinhas: a cor combinada ao sistema de aquecimento mantêm a água em temperatura mais alta o tempo todo.
Outra semelhança entre as piscinas projetadas por Lia Siqueira, em Petrópolis, e a de Chicô Gouvêa, em Itaipava, é que as duas foram pensadas não apenas para funcionar como um lugar para relaxar e se refrescar, mas para nadar mesmo: as duas têm formato de raia única.
Mas a área de lazer ganha formas diferentes em cada casa. Gouvêa fez um recuo no meio da piscina, que fica voltada para a mata, para a hidromassagem. "A pessoa pode ficar ali no fim de tarde vendo a paisagem." Enquanto Lia demarcou o espaço de descanso com curvas margeadas pelo deck de madeira. "A parte mais próxima da casa tem uma profundidade menor pensando no lazer. Ali é abraçada pelo deck e, no restante de sua extensão, pela grama."
O entrosamento com a natureza é uma marca dos projetos dos dois arquitetos. Gouvêa achou uma composição para cada declive do terreno. "Aproveitei a caída que já existia para encaixar a piscina." Lia, por sua vez, "forçou" uma queda natural, típica dos vales. "Como serra tem altos e baixos, a ideia foi criar um vazio com a montanha de fundo. A piscina vira um espelho d?água."
O desejado aspecto de rio ganha força quando as pessoas entram na piscina: com o aumento do nível de água, a lateral de granito desaparece, criando o efeito de borda afogada.