Jeito carinhoso pelo qual chamava meu querido pai. Não faz muito tempo Deus o chamou. Tive uma oportunidade única que foi a de cuidar dele por mais de um ano. Não sei se dediquei a ele o mesmo carinho, o mesmo tempo, a mesma paciência que ele teve comigo quando criança, juvenil, jovem e porque não dizer quando adulto, pois Deus foi generoso, ele ficou conosco durante 90 anos.
Nesse pouco tempo que esteve morando em minha casa tive a oportunidade de dar banho nele, levá-lo ao banheiro, ajudá-lo a se trocar e a pedido dele ler o livro de Salmos antes de dormir. Quando amanhecia tinha que colocá-lo na cadeira de rodas e levá-lo até o carro para "passear", ir fazer sua fisioterapia.
No almoço, algumas vezes tinha que ajudá-lo a comer, pois ele sofria Mal de Parkinson e tremia muito, mas o que importava era que meu velho estava comigo e após o trabalho eu o encontraria e conversaria com ele, falávamos de futebol, ele perguntava como tinha sido meu dia no trabalho e nós conversávamos sobre diversos assuntos e muitas vezes relembrando o passado, das viagens, das surras, das broncas e dos tapinhas que eu levei. Sim, naqueles tempos os pais eram muitos rígidos e ele era militar.
Hierarquia, disciplina é o que ele exigia que nós aprendêssemos. Meu velho! Quantas saudades! Hoje já de cabelos branco consigo compreender que pai bom é aquele que repreende o filho, não permite que chegue tarde, quer saber com quem ele sai, quais são suas companhias exige que vá a Igreja, que não bebam bebidas alcoólicas, coisas básicas, mas as quais achávamos que eram caretas. Meu velho! hoje compreendo que fez tudo isso para que o meu mundo fosse mais confortável, mais belo e mais o colorido possível, tenho certeza que sempre quis o melhor para mim. Tento aplicar a mesma disciplina para meus filhos, mas hoje as coisas são diferentes o mundo mudou, se for dar uns tapinhas em meus filhos eles não vão entender, mesmo porque a lei me proíbe de fazê-lo. As coisas mudaram!
Mas posso dedicar a eles o mesmo amor o mesmo carinho, os mesmos cuidados que dedicou para comigo enquanto esteve nesse mundo. Assim como você, meu velho, oro, peço a Deus para que o mundo de meus filhos seja o mais colorido possível. Não vou desistir de criá-los segundo seu exemplo e todo legado que deixou para mim nesses anos todos. Hoje faço questão de deixar para eles as três coisas mais importantes que recebi do meu "querido velho". Exemplo, exemplo e exemplo.
João C. Lissone