Pirajuí – A Câmara de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) aprovou na sessão de ontem à noite requerimento pedindo a instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar supostas irregularidades na administração municipal. O documento contou com a assinatura dos nove parlamentares.
Pelo Regimento Interno da Casa, a assinatura de um terço dos vereadores seria suficiente para que a CEI fosse aprovada. Davi Henrique de Souza (PPS) foi escolhido presidente da comissão; Carlos Roberto Coltri, o Linho (DEM), relator, e Galeno Loureiro Sobrinho (PSB), membro. Os trabalhos, que têm 90 dias para serem concluídos, devem ter início esta semana.
As denúncias envolvendo o governo municipal são polêmicas. O autor, Jairo Agarb Cândido é engenheiro da prefeitura e, até poucas semanas atrás, era amigo pessoal do prefeito Jardel de Araújo (DEM).
Após grave desentendimento, Cândido decidiu divulgar uma série de acusações de irregularidades no Facebook contra o prefeito, que nega todas as irregularidades e alega que o engenheiro não apresentou provas. A prefeitura determinou o afastamento dele do cargo, alegando suposta agressão a um empreiteiro.
Na última quinta-feira, três vereadores da bancada de oposição - José Cirineu Daniel (PRP), Leila Neme de Barros (PPS) e Wanderlei Ferreira Grejo (PDT) – pediram a abertura de CEI para investigar o caso, com base nas denúncias divulgadas em site da Internet e na rede social.
No requerimento, eles apontam indícios de corrupção ativa, passiva e suposto superfaturamento. Leila Neme (PPS) afirma que a denúncia é grave já que, há pouco tempo, o denunciante era muito ligado ao atual prefeito.
O Ministério Público (MP) entrou no caso e convidou Cândido a prestar esclarecimentos no procedimento preparatório de inquérito civil. Segundo Neme, o MP defende que os vereadores façam uma apuração paralela.
Por meio de nota, o prefeito Jardel de Araújo declarou que as acusações não podem ser provadas e não têm sustentação. “(A denúncia) partiu de uma pessoa que se incomodou com a ação moralizadora da Prefeitura, onde teve seu interesse inconfessável contrariado”, diz.
Na semana passada, o chefe do Executivo acusou o denunciante de, supostamente, utilizar de tráfico de influência para conseguir obras para sua empresa particular.
Ele diz que ingressou com representação criminal contra o servidor na delegacia de polícia e está adotando as providências cabíveis contra os supostos abusos que teriam sido cometidos pelos sites que divulgaram os fatos de forma apócrifa.