Esta semana temos dois assuntos interessantes pedidos por leitores. O primeiro vem do amigo leitor José Bussato Rocha, de Bauru. Pergunta ele:
"- Bom dia Marcos, sou leitor assíduo de sua coluna no JC e gostaria se possível sanar uma dúvida sobre bateria de carro, pois troquei recentemente minha bateria (pois a antiga durou 2 anos e meio e juntava bastante zinabre nos polos). Agora comprei uma nova há umas duas semanas mais ou menos e vejo que num dos polos começa a aparecer um pouco de zinabre (quantidade bem pequena) que assim que percebo limpo com uma escovinha. Será que a bateria está com algum problema? O que devo fazer? Carro: Fiesta 2009 - Marca da bateria: Moura."
Caro José Rocha, como já mencionei anteriormente a bateria automotiva é um componente eletroquímico e, como tal, se desgasta tanto pelo tempo quanto pelo uso. A primeira bateria de seu Fiesta durou um tempo normal, que é em torno de 3 anos em média. Sua nova bateria é de primeira linha, sendo usada em carros novos como original de fábrica, portanto lhe dá uma boa segurança quanto à qualidade.
Uma bateria velha cria uma crosta azulada conhecida como zinabre em torno dos polos e dos bornes de fixação dos cabos, e existem teorias de que podem se formar por diversos fatores como a reação entre os componentes metálicos em contato (chumbo dos polos e cobre dos bornes) ou por gases que vazam da carcaça e reagem com os metais acima. De qualquer forma, é um indício de que sua bateria está chegando ao fim e deverá ser trocada em breve. Existem condições de se prolongar sua vida útil mantendo regularmente os bornes e polos limpos. Uma sugestão é de retirar os bornes desligando a bateria, e depois passando uma escova (de preferência metálica) para escovar bem e retirar todos os vestígios do zinabre. Caso os bornes estejam muito corroídos, troque-os por novos. Antes de reinstalar, é aconselhável passar uma solução de bicarbonato de sódio diluído em água a 10:1 para limpeza completa dos polos. Use sempre uma luva! Depois, conecte novamente os cabos, aperte bem os bornes e passe uma proteção de óleo, de preferência um WD-40, que refuga umidade. Passar graxa nos polos também é recomendado, principalmente porque evita o vazamento de gases na base dos polos.
O fato de sua bateria nova estar apresentando zinabre pode ser ou não indicativo de problemas. Vejamos: se fizer uma medição de carga e de autodescarga e tudo estiver em ordem, não se preocupe. Pode ser apenas que os bornes não estavam bem limpos e o processo de geração de zinabre apenas continuou naturalmente, independentemente da bateria. Recomendo que ao trocar uma bateria velha e sulfatada, também se troque os bornes por novos. Agora, se a bateria nova estiver fora dos padrões de carga, aproveite a garantia e a substitua por outra.
Outra dúvida foi sugerida pelo amigo leitor Paulo Cesar Simões, que pergunta:
"- Marcos bom dia, gostaria que você comentasse em sua matéria porque o pivô tem desgastes rápidos. Seria pelas ondulações desse asfalto ruim que tem aqui em Bauru e nas rodovias ou é normal isso, porque eles não têm como engraxar. Antigamente tinha e era muito difícil trocar uma peça desta. Gostaria de ouvir o seu comentário."
Taí uma pergunta diferente. É bem verdade que antigamente os carros precisavam de muito mais lubrificação e tinham engraxadeiras espalhadas por todo lado. Hoje em dia, com os processos de montagem otimizados, optou-se por sistemas blindados com lubrificação permanente. Alguns pivôs de veículos de carga ou mais antigos ainda são lubrificáveis, mas a grande maioria não. Mas este não é o único fator de desgaste de um pivô. Durante as revisões periódicas, todo o sistema de direção e suspensão deve ser reapertado e alinhado, para prevenir desgastes prematuros. O que muitos não fazem é justamente manter os pivôs reapertados frequentemente. Com o tempo, suportar este péssimo asfalto que temos aqui com muitos buracos e solavancos, faz com que o pivô fique solto e comece a jogar e se desgastar mais rapidamente. O problema não é realmente a lubrificação, pois o conjunto é blindado e só deixará de ser lubrificado se perder o selo e vazar a graxa. Fora isso, o desgaste do pivô tem mais a ver com a falta de manutenção preventiva (o reaperto em si) e com as péssimas condições de piso que nos oferecem em troca dos altos impostos que pagamos... E tente reclamar depois!