A maioria dos sindicatos de trabalhadores dos Correios, inclusive o de Bauru, rejeitou em assembleias promovidas nesta quarta-feira (5) em todos os estados e no Distrito Federal o acordo fechado nesta terça-feira (4) entre a Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) e a direção da estatal, na audiência de conciliação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Com a decisão, a greve da categoria, que já dura 22 dias, prosseguirá e será julgada na segunda-feira (10) pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos.
Segundo o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, pelo menos 20 dos 35 sindicatos da categoria se posicionaram contra o acordo desta terça-feira, que previa aumento real de R$ 80 a partir de outubro e aumento linear de salários e benefícios de 6,87%.
A proposta acordada também previa a devolução do valor correspondente aos seis dias de greve que já foram descontados dos trabalhadores em folha de pagamento suplementar. Esses dias seriam descontados posteriormente, na proporção de meio dia de trabalho por mês. Os outros dias de greve seriam pagos e, posteriormente, compensados pelos trabalhadores que fariam horas extras nos fins de semana e feriados.
No comunicado enviado nesta terça-feira aos sindicatos, a Fentect alertou que já existe no TST jurisprudência desfavorável à categoria em relação ao pagamento dos dias parados e às cláusulas econômicas. Por isso, pediu que a categoria aprovasse o acordo.
Após a quebra do acordo que previa o fim da greve dos trabalhadores dos Correios, o TST decidiu encaminhar processo ao Ministério Público do Trabalho para que dê seu parecer sobre a decisão dos servidores continuarem em greve. Foi o que disse nesta quarta-feira (5) o presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, depois que confirmou-se que a maioria dos sindicatos da categoria no país rejeitou a proposta.
"Se não houve aprovação da proposta de conciliação, o passo seguinte é o encaminhamento do processo ao Ministério Público do Trabalho para emissão de um parecer para, em seguida, o sorteio de um relator e o julgamento, que poderá ocorrer na próxima semana", informou.