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Inadimplência na juventude

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa do TeleCheque mostra que os jovens lideraram a inadimplência no primeiro semestre deste ano. A base de dados levou em conta mais de 13 mil pessoas. Muitas pessoas abandonaram o uso do cheque, mas mesmo assim chama a atenção o percentual do calote nos jovens até 20 anos: 16,92%. A pesquisa apontou que os mais idosos honram mais seus compromissos: e partir dos 51 anos somente 3% não cumpriram a obrigação de cobrir o cheque emitido. A segunda faixa de inadimplentes é entre 21 e 30 anos com 6,33%, vindo em seguida à faixa entre 31 e 40 anos com 4,29% ficando em 2,61% a inadimplência entre aqueles que estão na faixa etária entre 41 e 50 anos. Esses números levam a concluir que conforme a idade avança menor é a inadimplência.

O que estaria levando os jovens a darem calote? Antes de buscar explicações para este comportamento, devemos lamentar que consumidores que praticamente estão começando a vida financeira já estejam com res-trições cadastrais. O que vem ocorrendo é uma somatória de fatores. De um lado a falta de educação financeira. Tenho insistido em meus artigos sobre finanças pessoais que uma educação completa passa também pela orientação financeira. Somente nos últimos tempos é que chamada educação formal está se dando conta da importância em ensinar a lidar com o dinheiro. E isso deve começar cedo. Importante ressaltar que não é tarefa somente das escolas, mas principalmente das famílias, dos pais e responsáveis.

Outro importante fator é o fato de as instituições de crédito não adotarem critérios rigorosos na concessão de crédito. No afã de atingirem metas de "venda do crédito" não estão analisando adequadamente o cadastro de seus clientes. Isso é comprovado quando são analisadas outras modalidades de crédito, como o crédito pessoal e o cartão de crédito, e nelas se constatam que também a inadimplência entre os jovens é elevada. É tratar o crédito ou dinheiro como um produto como outro qualquer. Os jovens são prezas fáceis no mercado de consumo. Gastam além da conta na balada, na compra de tecnologia, na aquisição do tênis da moda, no consumo da roupa de grife e até mesmo a sustentação do status com carros, viagens, motos, etc. Não há renda que sustente tudo isso. Chega um momento em que a conta na fecha, e atrasar os pagamentos é o único caminho que resta.

Alguém um dia disse: um dos maiores patrimônios que uma pessoa possui é seu nome, e infelizmente muitas pessoas não fazem a mínima para isso. Evidentemente que há casos isolados em que o nome da pessoa fica sujo na praça por motivos justificáveis, mas isso deveria ser exceção e não regra. Jovens sem compromisso com seu próprio nome serão adultos com que tipo de comportamento? Vale uma reflexão e cada núcleo familiar deveria identificar comportamentos como esse e estabelecer maneiras inteligentes, compartilhadas de mudar o rumo das coisas. Os números indicam o comportamento do passado, as pessoas podem e devem interferir para mudanças positivas para o futuro.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e colunista do JC

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