Quioshi Goto |
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Com redução da captação no rio Batalha, manobra consiste em interromper abastecimento em uma região para suprir outra |
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru avisa que chegou o momento de economizar água, pois adotará um sistema de racionamento para não deixar nenhuma região da cidade desabastecida nos próximos dias. A autarquia adiantou ontem ao JC que a população não deve enfrentar falta d’água neste final de semana, mas nos próximos dias o problema voltará a ocorrer - a exemplo do que aconteceu ao longo desta semana.
De acordo com o DAE, a condição de retirada de água do rio Batalha - que abastece 40% da cidade - em sua lagoa de captação se limitou ainda mais ontem devido à estiagem.
A autarquia, por intermédio de sua assessoria de imprensa, garantiu ontem que nenhum bairro ficará totalmente sem água. A resposta aos questionamentos do JC traz o termo “manobra”, que significa interrupção do abastecimento em uma região, enquanto outra parte da cidade recebe água do sistema.
Portanto, o operador do sistema de abastecimento faz, na prática, um racionamento. Nos pontos de interligação da rede, interrompe-se o fornecimento de uma região enquanto é ativado para outra, distribuindo a produção para o máximo de setores.
Desta maneira, o DAE pretende evitar que a totalidade da população fique sem água, porque não há condições de abastecer simultaneamente toda a cidade, com mais de 340 mil habitantes. O que deve acontecer é que o bauruense terá sua caixa d’água abastecida apenas em algum período do dia, tendo que fracionar seu uso para ter água todo dia.
Secura
Com a análise das informações do DAE prestadas anteontem, o JC projetou que o bauruense teria problemas de “torneira seca” novamente neste fim de semana, quando o uso da água tem consumo intensivo com as pessoas passando mais tempo dentro de casa. Contudo, a nota de imprensa de ontem frisa que o desabastecimento poderá se estender para a semana que vem.
“A informação passada (nesta quinta-feira) foi que a partir de hoje (ontem) em diante, e não apenas no final de semana, se mantida a estiagem passaríamos a ter maiores dificuldades de abastecimento”, destaca o DAE.
Os informes de interrupção no fornecimento de água durante esta semana vieram de todas as regiões de Bauru. Moradores da Vila Cardia, Vila Dutra, Jardim Higienópolis, Beija-Flor, Altos da Cidade, Vila Souto, Bauru 16, Parque Real, Distrito Industrial III e de outras partes do município reclamaram ao JC de falta d’água.
Nem pagando
Mesmo pagando por um caminhão-pipa - que custa R$ 209,01, conforme o JC divulgou na última terça-feira -, o consumidor pode ficar sem água. O DAE define que respeitará atendimentos prioritários de hospitais, escolas, enfermos e, depois, a fila dos pedidos. Como nos últimos dias, a autarquia reiterou, ontem, que todos os poços estão “em pleno funcionamento”.
Conforme o JC relatou anteontem, uma moradora da Vila Cardia, da rua Luiz Aleixo, não suportou o desabastecimento desde sábado e perdeu a paciência. A mulher, que pediu para não ser identificada, tirou foto do caminhão-pipa abastecendo uma residência no bairro.
De acordo com o relato da moradora, ela foi obrigada a apelar, sugerindo aos servidores municipais que iria levar as fotos para a imprensa. Ao JC, ela disse que essa argumentação colaborou para ter a caixa d’água cheia anteontem.
Uma batalha no rio: nível cai e situação é de alerta
A captação de água no rio Batalha atende 40% dos moradores de Bauru, enquanto os poços abastecem os 60% restantes. Ontem não foi informado a vazão do ponto de retirada de água para o sistema, o que possibilitaria avaliar com maior precisão a real condição com que o departamento de Água e Esgoto (DAE) opera o sistema de abastecimento. Fica subentendido que a situação é de alerta máximo.
Quando a condição de captação está normal, o nível do rio está a 2,60 mertros. Conforme a medição da autarquia ontem, o nível do rio Batalha caiu para 2,06 metros, quatro centímetros a menos do que anteontem, quando era de 2,10 metros e a avaliação do DAE indicava situação de maior cuidado. Com o nível da água a 2,10 metros, a captação e tratamento de água trabalhavam na média de 550 litros por segundo, conforme o DAE.
Na terça-feira, a lagoa de captação já apresentava 39 centímetros abaixo do ideal, com o nível caindo para 2,21 metros. Anteontem baixou ainda mais, ficando 50 centímetros abaixo do ideal.
O sistema de abastecimento de Bauru pode ser dividido em duas grandes partes: aproximadamente 137,6 mil bauruenses recebem água da captação do Batalha. Cerca de 206,4 mil pessoas dependem de água retirada de poços.
Evite desperdício
Para o Departamento de Água e Esgoto (DAE), não basta apenas economizar água. A empresa alerta para que a população evite desperdícios, conserte vazamentos e reduza o uso de pontos com ligação diretamente na rede pública, como chuveiro, torneiras e máquina de lavar roupas.
Para os serviços domésticos inadiáveis, como preparo de alimentos e lavagem de louças, a dica da autarquia é rever a capacidade de reservação do imóvel, na proporção mínima de 500 litros por dormitório.
