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Antirrábica deve chegar em novembro

Por Vitor Oshiro | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo segundo ano seguido, o Ministério da Saúde enfrenta dificuldades para realizar a campanha de vacinação antirrábica em grande parte do País. Em Bauru, a situação não é diferente. Faltando menos de três meses para o final do ano, a cidade ainda não teve a campanha de vacinação. A previsão é de que as vacinas somente cheguem em Bauru no final do próximo mês. Apesar de não haver casos recentes, a situação é preocupante, uma vez que, entre cães e gatos, o município conta com uma população estimada em mais de 80 mil animais.

A campanha vinha sendo feita em agosto com frequência nos últimos anos. Porém, em 2010, o governo federal não conseguiu realizar a campanha nacional. O motivo foi a suspensão das aplicações depois de vários casos em que, ao receberem as doses das vacinas, animais tiveram efeitos colaterais, inclusive resultando em mortes.

Após ter constatado que as doses das vacinas foram feitas com uma concentração de proteínas bovinas quatro vezes maior do que a necessária, o ministério exigiu alterações na fabricação e testes para verificar a reatividade nos animais. Segundo o que a reportagem apurou, além da cautela por conta dos problemas ocorridos no ano passado, testes recentes deram problemas e precisaram ser refeitos, o que ampliou o atraso.

De acordo com o assessoria de imprensa do ministério, além dessas que ainda estão sendo formuladas no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), há outro lote emergencial com 10 milhões de doses compradas do exterior. Entretanto, essas vacinas também não chegaram.

A previsão era de que essas doses, tanto as formuladas quanto as adquiridas no exterior, chegassem em julho, porém, até agora, elas ainda não estão disponíveis. A assessoria de comunicação do Ministério da Saúde afirma que, assim que chegarem, as vacinas atenderão Estados mais emergenciais, como Maranhão e Ceará. Em São Paulo, a previsão é de que as doses cheguem somente no fim do próximo mês.

A explicação do Ministério da Saúde para a data é de que o Estado de São Paulo não apresenta casos de raiva humana transmitida por um cão desde janeiro de 1997. E, em 1998, também foi registrado o último caso de transmissão de cão para cão.

Entretanto, Bauru deve ficar em alerta. Apesar das estatísticas históricas indicarem relativa tranquilidade, o grande número de animais deve ser considerado. De acordo com dados da diretoria do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a cidade conta com uma população de mais de 80 mil animais entre cães e gatos. Com a grande e crescente quantidade de bichos de estimação, aumenta também o risco de doenças como a raiva.

Lista


Segundo Maria de Lourdes Aguiar Bonadia Reichmann, assistente técnica do Instituto Pasteur, quando as doses chegarem no Estado, elas também serão entregues priorizando determinados municípios de acordo com a prevalência de casos da doença em todas as espécies.

A lista com a ordem desses municípios não foi divulgada oficialmente, porém, segundo o JC apurou, Bauru está nas cidades a serem contempladas com o primeiro lote. O motivo seria a constatação da doença em bovinos e morcegos.

Questionado sobre o fato de haver essa divisão por cidades em São Paulo, o Ministério da Saúde apenas afirma que as vacinas, assim que ficarem prontas ou chegarem, atenderão a todos os municípios.

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Raiva


Segundo o veterinário Rodrigo Ferreira Martins, a forma mais comum de contágio da raiva é por meio do contato com a saliva do animal contaminado com a doença, seja por uma mordida ou por lambeduras. Os arranhões também podem gerar contaminação, devido à salivação intensa dos animais doentes, que muitas vezes contaminam suas patas.

Além de se manifestar em cães e gatos, a doença também atinge morcegos, macacos e mamíferos como bovinos, equinos, suínos, caprinos e ovinos. O veterinários Martins explica que o período de incubação da doença gira em torno de 40 dias e que, ao se manifestar, ela pode durar de 3 a 7 dias.

"Não existe tratamento para a doença, já que ela não tem cura, tanto em animais quanto em seres humanos. É importante que a população não fique desprotegida e recorra, se possível, à compra da dose da vacina em clínicas particulares", alerta Rodrigo Martins.

A vacina antirrábica deve ser aplicada em dose única e anualmente. Encontradas em clínicas veterinárias, ela pode custar em torno de R$ 25 a dose, dependendo do fabricante.

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