O outubro rosa é um movimento de conscientização a respeito do câncer de mama que começou nos Estados Unidos nos anos 90 e hoje acontece em todo o mundo, com instalação de iluminação cor rosa em monumentos e pontos turísticos, como na Torre Eiffel em Paris, Cristo Redentor no Rio, Ponte Estaiada em São Paulo, Ópera de Arame em Curitiba, e em várias cidades brasileiras. Em Bauru, o Grupo Amigas do Peito está coordenando esta campanha com o lema "Mulher que se cuida se toca: faça mamografia todo ano e autoexame todo mês". Ontem, participantes da campanha retornaram ao Calçadão da Batista de Carvalho.
A ação visa mobilizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce através da realização da mamografia. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) o percentual de mulheres entre 40 e 70 anos que conseguem realizar a mamografia é de apenas 12%.
Assim, ontem, as voluntárias do Grupo Amigas do Peito estiveram na quadra sete do Calçadão da Batista de Carvalho divulgando o lema da campanha, entregando folhetos educativos e fitinhas para as pessoas colocarem no pulso, lembrando-as da importância da detecção precoce da doença. O câncer de mama é a doença que mais mata mulheres no Brasil. A detecção na fase inicial atinge somente 15%, o que indica que as mulheres procuram o serviço médico tardiamente, com a doença avançada. Já as que detectam logo no início, além de aumentar a chance de cura, geralmente são submetidas a cirurgias conservadoras, onde a mama é preservada e o mais importante: é o melhor caminho para a cura.
As campanhas de abordagem direta feitas por mulheres saudáveis e que foram acometidas pela doença, como as integrantes do Grupo Amigas do Peito, servem como incentivo para que as pessoas percam o medo de fazer exames e eventualmente descobrir a doença. Além disso, o grupo incentiva mulheres a fazerem o autoexame das mamas todo mês, com o uso de próteses de silicones chamada de "mama amiga", próprias para instruir quanto a forma certa de fazê-lo.
Vale lembrar que o autoexame, entretanto, não substitui os exames médicos como a mamografia. "É importante que a mulher conheça seu corpo e caso haja alguma alteração nas mamas ela o detectará precocemente, principalmente nas mais jovens em que a mamografia ainda não é indicada e para as mais de 40 anos, no intervalo entre uma mamografia e outra, a doença pode aparecer".
O grupo Amigas do Peito tem recebido relatos das dificuldades para se conseguir uma mamografia em Bauru, onde muitas esperam mais de dois anos para o exame. Além disso, enfrentam dificuldades para conseguir acesso ao médico do Núcleo de Saúde e até uma guia de encaminhamento. A ação também constata que a cidade não usa todas as cotas disponibilizadas pelo Estado no Hospital Estadual de Bauru (HEB) para fazer mamografia.
Dificuldades para tratamento
O grupo também luta para melhorar o tratamento oncológico na rede pública. Este ano a coordenação levantou uma bandeira de alerta em Bauru que mobilizou cerca de 15 mil pessoas através de um abaixo assinado solicitando ao governo do Estado a instalação de um equipamento de radioterapia com tecnologia de ponta, tipo Acelerador Linear, proporcionando um tratamento oncológico com maior segurança e eficácia, que atenderia a todo paciente de câncer da nossa região.
O equipamento utilizado em Bauru é considerado obsoleto e muitas pessoas procuram o atendimento em Jaú e Botucatu, enfrentando muitas dificuldades, chegando até a desistir do tratamento. "E contamos com a mobilização de toda a sociedade na cobrança aos órgãos públicos para que seja instalado. As adesões nesta campanha têm superado as expectativas".
A ação no Calçadão da Batista teve a adesão de rotarianos do Rotary Parque das Nações e da Acib, além do apoio do Jornal da Cidade.