Tribuna do Leitor

Educação, décadas de atraso


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A revista "Agitação", nº 100 (julho/agosto/2011), órgão de divulgação do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), publicou uma matéria que, pelo assunto focalizado, pode ser vista como mais um dos frequentes comentários sobre a precariedade do ensino público. Chamou particularmente minha atenção, não consigo deixar de comentá-lo.
A matéria classificada como ?Eventos?, na página 55, traz o título "Educação, Décadas de Atraso". Trata-se de um comentário referente ao 31º Encontro com Educadores do CIEE, realizado em 20 de maio deste ano, no Auditório Ernesto Igel e Mario Amato, em São Paulo/SP, sobre "Os desafios da educação de nível médio e a formação para o trabalho".

Segundo a matéria, o secretário da Educação do Estado do Estado de São Paulo, prof. dr. Herman Jacobus Cornelis Voorwald, em sua palestra, destacou: "A educação básica deve ter o mesmo grau de importância e excelência que as univseridades públicas". Para o secretário, um dos principais problemas dentro das políticas de educação é a extrema desvalorização do papel do educador, sobretudo no ensino básico. "Isso gera uma falta de interesse dos jovens estudantes por áreas ligadas ao magistério", afirma o secretário.

Na tentativa de recuperar décadas de atraso na educação, o secretário Voorwald concentra as atividades da Secretaria em três vertentes: "Primeiro na busca do reconhecimento do educador com melhores salários; depois, na construção de carreiras que reconheçam méritos; e em terceiro no desenvolvimento de ações inspiradas do órgão no diálogo público com diretores e professores da rede pública.

Confesso que me surpreendeu de modo satisfatório a maneira de compreender a educação pública a nível da educação básica e a consideração dispensada aos professores, pelo secretário da Educação do Estado de São Paulo, como também os aspectos para a recuperação de décadas de atraso na educação.

Comporta registrar, sem dúvida, os mais de 16 anos que o PSDB se encontra governando o Estado de São Paulo, tempo suficiente para ter recuperado o padrão de qualidade do ensino público estadual paulista de outrora e a valorização dos professores, que não aconteceu ainda.

Dos vários secretários da Educação que passaram pela pasta nesses mais de 16 anos do PSDB no Governo do Estado, só ocorreram desencontros na programação  do ensino e desconsideração para com os professores. Porém, estou com o adágio: "A esperança é a última que morre".

   Registre-se: a Constituição Federal, que no dia 5 deste mês completa 23 anos de sua promulgação, consta em seu texto de modo explícito: "Valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos". (inciso V, artigo 206).

   
Ainda, há 54 anos, o saudoso pedagogo Anísio Teixeira, patrono do INEP, órgão do Ministério da Educação, registra em seu livro "Educação não é privilégio" (Livraria José Olympio Editora/RJ/1957), o seguinte: "Não desmerecemos nenhum dos esforços para a educação ulterior à primária, mas reivindicamos a prioridade número um para a escola de que dependem todas as escolas - a escola primária" (hoje, ensino fundalmental).

  

É preciso acabar com o apartheid em que se encontra o sistema escolar brasileiro: escola particular para os filhos dos ricos e escola pública para os filhos dos pobres. Grato pela atenção.


Rodolpho Pereira Lima - 80 anos - professor aposentado, membro do Conselho Superior do Centro do Professorado Paulista e membro da ABLetras

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