Foi em busca de sossego que Benedito Sampaio Guedes de Azevedo, 46 anos, resolveu comprar uma chácara em Agudos há alguns anos. Mas o pacato condomínio acabou virando um cenário de terror. Depois de “divergências” com vizinhos por conta de barulho excessivo, ele desconfia de retaliação. Cinco cães de Benedito foram mortos nos últimos meses. Os primeiros a aparecerem mortos foram Gubbio, 4 anos, e Fido, 6 anos, ambos da raça lobo.
Tudo começou com a denúncia de barulho nas redondezas. “Como eu me incomodo com o barulho de festas, eu realmente acionava a Polícia Militar. E essa pessoa começou a me ameaçar. Disse que mataria meus cães. E assim provavelmente o fez, porque meus dois cães apareceram mortos no ano passado”, contou Benedito.
Como vivia no local tendo somente os cães como companhia, ele adquiriu mais uma fêmea Queen, fox de 1 ano e dois meses, e outro macho lobo, Tweedle Do, de 1 ano. No total, até o final do mês passado, Benedito tinha três cães contando com o mais velho companheiro Atlas, de 3 anos.
Mas Atlas e Tweedle Do, por serem da raça lobo, tinham o costume de sair da propriedade, mesmo com o alambrado. “Eles cavavam por baixo do alambrado e saíam. Uma vez eles acabaram matando uma galinha de outra chácara. E o proprietário deste animal ameaçou meus cães de morte. A primeira a ser encontrada morta foi a Queen. Depois os dois cães”, acrescentou.
Envenenamento?
A principal suspeita de Benedito é de que os seus cães foram envenenados. Todos eles foram encontrados da mesma forma: fora da propriedade, com as patas enrijecidas, os dentes aparentes e espumando ou sangrando pela boca. “Eu não acredito como as pessoas têm tanta maldade para fazer isso com um animal”.
Benedito procurou o Distrito Policial (DP) de Crimes Ambientais, localizado na Vila Falcão em Bauru e registrou boletim de ocorrência sobre as duas mortes. O último cão morto, Tweedle Do, foi levado à uma clínica veterinária e será submetido à exame para saber as causas de sua morte.
De acordo com o delegado titular do DP de Crimes Ambientais, Dinair José da Silva, se for comprovada a morte por envenenamento, os acusados serão investigados e poderão responder Termo Circunstanciado (TC) - usado em crimes de menor potencial ofensivo -, pelo crime de maus tratos.
“Todos os fatos, não só este, são investigados. Nós instauramos um Termo Circunstanciado e é passado ao setor de investigação se procede as diligências, no sentido da identificação do autor. Uma vez com o exame em mãos, vamos ver se foi dado o veneno e isso tudo será anexado ao TC. Do Necrim (Núcleo Especial Criminal) encaminharemos ao Juizado Especial Criminal (Jecrim)”, salientou o delegado.
Serviço
O Distrito Policial de Crimes Ambientais fica na avenida Comendador Daniel Pacífico, 2-117, Vila Martha, e deve ser acionado em casos de maus-tratos a animais. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelos telefones (14) 3238-7377 e (14) 3238-5151, ou ainda pelo e-mail dp01bauru@policia civil.sp.gov.br.
Desova de animais
Outro caso que ainda está nas mãos do DP de Crimes Ambientais é a denúncia de desova irregular de carcaças de cães em terrenos localizados nas ruas Neme Saleme Neme e Frederico Pagani, Quinta da Bela Olinda em Bauru. O delegado titular do DP de Crimes Ambientais, Dinair José da Silva, frisa que uma equipe de investigadores já esteve no local para a coleta das primeiras provas.
“Nós verificamos que aqueles cães provavelmente não são cães de rua porque muitos estavam com coleira. Se chegarmos à conclusão de que é uma clínica que está fazendo este descarte irregular, esta poderá ser enquadrada no crime contra o meio ambiente. As investigações continuam”, esclareceu.
A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de imprensa, esclareceu que o o descarte irregular de carcaça de animal é passível de processo administrativo municipal, desde que haja a denúncia formalizada - à pasta ou à Polícia Civil -, e com subsídios que embasem o processo, como um flagrante de foto que permita a identificação do autor, ou a placa de um veículo.
Assim como todo processo administrativo municipal, que segue um padrão, neste caso, o acusado será inicialmente notificado. Se não se regularizar, recebe nova notificação e se ainda continuar a infringir a regra será autuado com valores variáveis.