O comércio foca nesta época a venda de brinquedos para as crianças que hoje tem uma infinidade de opções que deixam os pais de cabelos brancos diante de tantos apelos, principalmente de brinquedos eletrônicos ou já informatizados que bastam apertarem alguns comandos e pronto. A criança geralmente fica entre quatro paredes. Um jeito mais mecânico e até certo ponto dirigido e solitário.
Antigamente, no século XX, no entanto, as brincadeiras de nossos pais e avôs estavam mais ligados à natureza e eram mais livres no que diz respeito ao espaço físico. Vamos relembrar de algumas brincadeiras que ainda na periferia das cidades de pequeno e médio porte, principalmente, ainda encontramos. Nossos antepassados brincavam a maioria das vezes meninos separados das meninas. Mais recentemente, na década de 60, é que as brincadeiras ficaram mais comuns entre os gêneros. Especialmente em ambientes escolares.
Os meninos quando tinham a oportunidade de morar próximos de rios limpos e atrativos nadavam e brincavam dentro d?água . Próximo a árvores, de subir e brincar de Tarzan, além de caçar com armadilhas passarinhos e estilingue. Hoje é proibido. Nas ruas e quintais que eram de terra e existiam enquanto espaço, brincavam de diversas formas: birola com burica, pega-pega, esconde-esconde, pula caixão, salva, roda pião, amarelinha, carrinho de rolimã, roda arco com ferrinho, roda pneu, soltar pipa (sem cerol), queima, jogo de futebol, bicicleta (mais recente), carrinhos feitos de madeira, jogo de botão na calçada, saquinho e rolar dentro de um pneu... As meninas, que eram educadas para prendas do lar, casamento e filhos, brincavam de casinha (fazer comidinha, boneca, cuidar da casa), de professora, passa anel, esconde-esconde, pega-pega, pula-corda, com brinquedos que lembravam atividades domésticas, leitura de livros com estórias de romances, poemas, poesias, novelas em capítulo eram e revistas de moda feminina (roupas, sapatos, cosméticos e assessórios) eram para as jovens que já sabiam ler e escrever e se preparavam para o futuro. Geralmente os gêneros formavam grupos unidos e andavam juntos. Ir ao cinema, baile, teatro, festivais, quermesses, confeitaria também fazia parte do lazer ou diversão dos jovens, mas principalmente as moças tinham horário para chegar e a maioria das vezes iam acompanhadas de alguém da família mais velha, até durante o namoro.
Atualmente mudou muita coisa, claro que temos que evoluir, mas cada vez mais as crianças e jovens estão crescendo mais rápido e querendo ser adultos mais cedo, sem no entanto estarem preparados para isto, pois o tempo é o melhor professor para que a experiência aconteça e se transforme em vivência e conhecimento. Mas a velocidade com que tudo acontece e a pressa na vida dos jovens não queimam etapas necessárias para o seu amadurecimento. Ontem, o tempo parecia passar mais devagar e a vida era mais que digitar frases curtas e manusear o mouse numa comunicação que dialoga muitas vezes com si mesmo. O individualismo e a solidão imperam e a solidariedade e o bem comum precisam ser cultivados desde cedo.
A autora, Marcia Regina Nava Sobreira, é professora