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Embriaguez ao volante é alarmante

Por Vitor Oshiro | Com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Sempre que chega a noite de sexta-feira ou algum feriado, como o de ontem, o instalador elétrico Zacarias Feliciano, 38 anos, não abre mão de tomar uma cervejinha para aliviar o estresse diário. Ao fim do lazer, ele pega o carro e volta para casa. Apesar de alegar não beber "muito", sabe que desrespeita a lei seca. "Fico rezando para não passar por um bloqueio", conta, de forma imprudente, porém, sincera.

Assim como Zacarias, muitos bauruenses fazem o mesmo. Segundo as polícias Civil e Militar, a maioria das autuações de motoristas embriagados ocorre aos finais de semana e em feriados.

Praticamente toda semana, o JC publica acidentes relacionados ao consumo de álcool. Motoristas que trafegam na contramão, carros atropelando pessoas e outros batendo em veículos parados foram apenas alguns dos casos que se repetem no noticiário. No último sábado, não foi diferente. Na ocasião, um motociclista que estava na contramão bateu em dois veículos. A suspeita é de que, além da imprudência do motociclista, os condutores de ambos os carros estavam sob efeito do álcool.

Segundo o delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, somente este ano, foram 93 casos de embriaguez ao volante na cidade. "A grande maioria ocorre em feriados e nos fins de semana. Os casos mais frequentes são registrados na quinta e na sexta à noite, sábado inteiro e no domingo durante o dia", frisa o delegado.

Nas ruas, os bauruenses confirmam o contexto destacado pelo delegado. O JC conversou com várias pessoas ontem e, com a condição de terem as identidades preservadas, todas confirmaram que dirigem embriagadas. "Sei que é errado, mas dirijo", "só dirijo quando bebo pouco", "torço para não me pararem" são frases comuns entre os motoristas. De todos os entrevistados, somente cinco alegaram não dirigirem embriagados. Consciência no trânsito? Não. Esses realmente não bebem em ocasião alguma.

Para a maioria, a justificativa para cometer a imprudência é um relaxamento na lei que proíbe a combinação de direção e álcool (leia mais abaixo). A lei seca (leia infográfico), como ficou conhecida, passou a valer em 2008, alterando o artigo 306 do Código Brasileiro de Trânsito (CBT). Pela norma, mesmo ser ter havido qualquer acidente, quando o nível de álcool passa de 0,6 gramas por litro, o motorista pode ser preso em flagrante com penas que variam entre seis meses e três anos. O crime, porém, prevê fiança entre R$ 300,00 e R$ 1.200,00.

Além da questão criminal, o ato de dirigir embriagado constitui infração gravíssima e, além de multa de R$ 957,00, resulta na perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e na suspensão do documento após processo administrativo.


Autuações

Para comprovar a embriaguez, há três maneiras: bafômetro, exame de sangue e teste clínico. O delegado seccional Marcos Mourão afirma que os motoristas embriagados que são conduzidos ao Plantão Policial, em geral, são aqueles envolvidos em acidentes. Isso ocorreria em razão do bafômetro ser usado somente nessas ocasiões.

O comandante do Pelotão de Trânsito da PM de Bauru, tenente Eduardo Henrique Alferes, nega a questão. Segundo ele, os bafômetros podem ser utilizados sempre que o policial suspeitar de que o condutor está sob efeito do álcool.

"A maior parte das autuações não é de envolvidos em acidentes. É de um trabalho preventivo mesmo. São em fiscalizações", afirma o tenente, completando que a maioria dos casos realmente ocorre em fins de semana e feriados.

"Fazemos operações diariamente, porém, aos fins de semana e vésperas de feriados intensificamos. Sabemos que, nesses períodos, a tendência é de que a população consuma mais álcool. Por isso, fazemos mais fiscalizações visando motoristas embriagados", conclui Alferes.


5 bafômetros


Segundo a Polícia Militar (PM), a corporação possui atualmente cinco bafômetros em funcionamento em Bauru. Os aparelhos estão divididos de acordo com a área. Apesar de atender a uma frota estimada em mais de 210 mil veículos, a PM afirma ser suficiente.

Além desses cinco aparelhos, a PM dispõe de outros 17 na região. A corporação aponta que, em casos excepcionais, pode-se solicitar o empréstimo de tais equipamentos de outras cidades.


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?Embriagado, capotei e perdi meu carro?, diz motorista arrependido


Depois de ter "fechado o bar", um motorista de 35 anos, que preferiu não se identificar, conta que saiu à procura de outro estabelecimento para continuar a bebedeira.

Entretanto, sob o efeito do álcool, acabou dormindo no volante. "Capotei e perdi meu carro. Isso foi há cerca de três meses. Ele ficou totalmente destruído", conta o homem, mostrando as fotos do veículo registradas em um aparelho celular.

Na semana passada, depois de outra seção de "bebedeira", ele parece ter aprendido a lição. Ou quase. "Meu amigo me levou para casa. Mas ele não tinha habilitação. Fomos parados em uma fiscalização e meu carro foi apreendido", conta o azarado que, respeitou a lei seca, porém, esqueceu que, em casos assim, a recomendação é sempre dar o veículo para pessoas habilitadas e que não tenham ingerido álcool.

Em agosto passado o pai de um advogado, casado, 42 anos, contou que seu filho só não gerou uma tragédia por sorte. Após desentendimento com a esposa e, diante da possibilidade de separação do casal, o filho saiu em busca de um bar. Acabou parando em Agudos e no retorno para Bauru "errou" a entrada da alça de acesso da rodovia Marechal Rondon.

Na verdade, o filho entrou na contramão em plena rodovia e só não sofreu e gerou acidente grave porque, bêbado, dormiu ao volante e o carro caiu na canaleta da rodovia e lá permaneceu até ser guinchado.

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Para PM, fiscalizações não diminuíram


Após três anos em vigência, para muitos, a lei seca caiu quase no esquecimento. Ao serem questionados sobre o motivo de dirigirem embriagados nos fins de semana, a maior parte dos condutores alega que a fiscalização foi intensa somente no início de validade da lei. Um dos entrevistados, que não quis se identificar, disse que há mais de um ano não encontra bloqueios policiais.

O comandante do Pelotão de Trânsito da PM de Bauru, tenente Eduardo Henrique Alferes, afirma que as fiscalizações não diminuíram. "Continuamos as operações da mesma forma. Por todo esse tempo, mantivemos o mesmo ritmo", argumenta.

Segundo ele, esse sentimento de que a lei se arrefeceu é em função de a divulgação ter diminuído. "Além das fiscalizações rotineiras, fazemos também operações grandes em eventos públicos e privados. Algumas dessas operações são feitas em conjunto com outras companhias da Polícia Militar", finaliza Alferes.

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