Tribuna do Leitor

Reconhecimento e gratidão, um exemplo a ser seguido


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Certamente se os bichos falassem a nossa linguagem e pudessem compreender o raciocínio humano, seria tudo muito diferente. Imaginem os animais organizados em sindicatos, exigindo os seus direitos neste planeta, que é tão deles quanto nosso. Bem, enquanto essa magia não acontece e a humanidade não age tão sabiamente quanto poderia, os animais ?se viram? como podem.

Em seu habitat, agem conforme sua natureza, já nos centros urbanos tudo é diferente. Ah, e como é diferente! O que seria dos animais se não fossem pessoas abnegadas a compreender sua fragilidade e fazer por eles o que podem para minimizar seus reveses.

Até que o Poder Público e a população aprendam de uma vez por todas a importância e a obrigação humana de cuidar e controlar a população de animais domésticos nos centros urbanos, pessoas como a senhora Luzia Aparecida João, de Piratininga, e tantos outros na região, são o alívio para muita gente que ?descarta? os animais indesejados em seus portões.

Por mais incrível que pareça, esse é um típico ato de ?meia? bondade. Resolve-se o problema do bicho, embora sobrecarregue alguém de uma responsabilidade que é de todos.

Já que é assim, sorte dos animais que foram parar nas casas dessas pessoas, e sorte da dona Luzia que mora num condomínio onde é compreendida pelo trabalho que faz. Elogiamos o Condomínio Pontal, em Piratininga, que reconhece a necessidade de um gesto como o de dona Luzia que, além de manter os cães e gatos que foram abandonados no bairro, evita a procriação desses animais, o que certamente causaria um transtorno para toda a comunidade, sem contar com o sofrimento dos abandonados. Sugiro ainda que os condôminos ofereçam seu apoio nas maiores necessidades dessa cidadã, que até hoje, sem a ajuda de ninguém, vem pagando uma conta que, volto a dizer, é de toda a sociedade.

Conheci dona Luzia pessoalmente na ocasião em que fomos buscar uma cachorrinha que abandonaram em sua casa. Ao longo de seus 70 anos, essa senhora tem plena noção que não poderá aumentar a quantidade de animais que estão sob seus cuidados e por isso nos pediu ajuda.

Poucas semanas depois, abandonaram uma ninhada de gatinhos recém-nascidos em sua porta. Lá fomos nós novamente em socorro à dona Luzia. Sinceramente, espero que depois de lerem esse texto, em vez de levarem mais animais para essa senhora cuidar, que levem no mínimo reconhecimento e gratidão pelo seu maravilhoso trabalho.

Àqueles que não têm medo de serem justos, que lhes ofereçam rações de boa qualidade e outras coisas que os animais ne-cessitem, mas, por favor, reconheçam o seu trabalho, mas também o seu limite, e não abandonem mais animais em seu portão. Pelo contrário, sejam padrinhos e madrinhas desses que foram recolhidos e são cuidados há tanto tempo sem a ajuda de mais ninguém.

E os veterinários de Piratininga, que tal exercitar a cidadania da profissão? Com certeza dona Luzia ainda precisa castrar alguns animais. Que tal cirurgias de presente? Por que não se a dona Luzia está trabalhando por tantos sem jamais receber nada?

O mínimo que a sociedade pode fazer é evitar que a sua conta aumente. Como? Cas-trando os seus animais para que não tenham crias indesejadas; mantê-los dentro de seus quintais para que não se percam pelas ruas; sendo absolutamente responsáveis por seus bichos de estimação ?até que a morte os separe?; jamais ?produzir? filhotinhos para depois doá-los ou vendê-los pra qualquer pessoa, sem um mínimo de compromisso; identificando os cães com micro-chip ou, simplesmente, colocando o número de seu telefone em sua coleira. Caso o cão venha a se perder, essa simples atitude fará toda a diferença. Viram? Não é tão difícil assim ser responsável com os animais e com a comunidade.

E, para dona Luzia, em nome dos animais agradecemos, e em nome dos irresponsáveis pedimos perdão. Louvada seja pela sua coragem e abnegação.

Beatriz Schuler - presidente do Instituto Vidadigna - Apoio e Educação Para Preservação e Bem-Estar Ambiental, Humano e Animal

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