Nova York - Mais de 3 mil pessoas já morreram após sete meses de violência na Síria, segundo dados da ONU que foram divulgados ontem.
A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, alertou para o risco de o país cair em uma guerra civil sem precedentes e pediu à comunidade internacional que adote ações urgentes para frear o “banho de sangue” que o país enfrenta.
“É de responsabilidade de todos os membros da comunidade internacional tomar medidas de proteção de forma coletiva, antes que a repressão contínua e os assassinatos cruéis conduzam (a Síria) a uma guerra civil”, disse, em comunicado.
Nas últimas semanas, grande parte do movimento pelos direitos humanos na Síria vem assumindo um tom mais militante, com ativistas abertamente à procura de armas e soldados que fugiram do exército lutar contra os seus ex-colegas.
“Sabemos que o mundo não está vindo nos ajudar”, falou por telefone um manifestante de Homs. “Nós faremos o que tiver de ser feito. Enfim, nossos irmão das forças de segurança estão acordando. E em breve nós seremos numerosos a estar lutando ao lado deles”.
Também como resposta ao número crescente de desertores das forças armadas, as violências têm se intensificado ultimamente.
Apenas ontem, dez pessoas perderam a vida durante manifestações em apoio a desertores do Exército.
Anteontem, 36 foram mortos em conflitos em todo o país, sendo 25 militares (na ativa ou na reserva) das forças de segurança.
Partidários e opositores da intervenção do Conselho de Segurança da ONU na Síria reuniram-se ontem.
Durante as consultas regulares, o grupo de países ocidentais que é pela intervenção levantou o tema da repressão violenta do governo de Bashar Assad contra os manifestantes.
Mas Rússia e China vetaram, na semana passada, a resolução que aventava possíveis sanções contra o governo. Brasil, Índia, Líbano e África do Sul, membros não permanentes do Conselho, abstiveram-se do voto.
“Os defensores da inércia sobre a Síria deveriam tirar conclusões dos últimos acontecimentos terríveis”, declarou Gérard Araud, embaixador da França na ONU.