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Romário afia pontaria sobre Copa-2014


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Rio - Romário está decidido a se tornar a voz mais ativa dos críticos à preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, e seu front inclui desde a falta de vigor do governo nas negociações com a Fifa às denúncias de irregularidade contra o presidente da CBF e do comitê organizador, Ricardo Teixeira.

O ex-atacante e agora deputado federal teve frustrada este ano uma tentativa de levar Teixeira ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre diferentes denúncias de corrupção, mas viu a decisão da Polícia Federal de iniciar um inquérito contra o dirigente como um “sinal verde” que pode melhorar o andamento dos preparativos.

De folga de suas atribuições em Brasília, Romário (PSB-RJ), 45 anos, concedeu no Rio de Janeiro uma entrevista descontraída, mas recheada de declarações firmes, em seu prédio de frente para o mar na Barra da Tijuca. Assim como nos tempos de jogador, Romário segue com a pontaria afiada.

“Não é bater de frente, é falar o que alguns às vezes não têm coragem de falar mas que é a pura verdade, a realidade, principalmente o que a gente está passando em relação à Copa do Mundo. As coisas que estão acontecendo alguém tem que se posicionar pelo menos o mínimo contrário”, disse o atacante que liderou o Brasil na conquista do título mundial de 1994 e que deseja ter mais uma vez papel preponderante num Mundial, desta vez fora dos campos.

Romário disse que já tentou marcar um encontro com a presidente Dilma Rousseff para discutir a Copa do Mundo, mas que não foi possível por um conflito de agendas. Segundo ele, o governo tem sido frouxo tanto ao ceder a exigências da Fifa como na cobrança a Teixeira, que dirige o futebol brasileiro desde 1989 e também é o presidente do comitê organizador do Mundial.

“O governo tem que apertar, as coisas não são assim como ele (Teixeira) diz”, afirmou Romário. “Claro que a CBF é a maior entidade, mas o futebol não tem dono a Copa é do Brasil, do povo brasileiro.”

Para o ex-jogador, Teixeira está prejudicando o andamento da preparação brasileira por conta das denúncias e da falta de diálogo com o governo.

“Acredito que se o governo tivesse cobrado mais do Ricardo Teixeira alguns anos atrás, ele não daria a entrevista que deu à revista Piauí faltando respeito com os três Poderes e principalmente com a nossa presidenta”, disse. Naquela entrevista, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol se coloca acima das autoridades do país no que diz respeito ao Mundial.

Na avaliação de Romário, a investigação da PF sobre o dirigente esportivo a pedido do Ministério Público Federal por suspeita de lavagem de dinheiro num suposto esquema de suborno envolvendo a Fifa pode abrir caminho para mudanças importantes na organização da Copa.

Procurada pela reportagem, a CBF disse através do diretor de comunicação Rodrigo Paiva que a entidade e Ricardo Teixeira não comentam as acusações.

 

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