Lençóis Paulista – Novo descarrilamento ontem de manhã em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) – o terceiro registrado na região em menos de dois dias – deixou duas pessoas feridas e interrompeu o tráfego de trens no trecho durante todo o dia. A previsão da América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a malha ferroviária, era de que o local estivesse liberado até o final da noite de ontem.
De acordo com a ALL, por volta das 6h, três locomotivas e dois vagões de uma composição de 80 vagões vazios que seguia em direção à cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, descarrilaram na região de Lençóis Paulista. Um maquinista e um auxiliar sofreram ferimentos leves.
“Uma equipe da ALL está trabalhando no local e a previsão é de que o tráfego ferroviário volte à normalidade até o final da noite de hoje”, informa a concessionária. “Apurações preliminares indicam que uma linha variante construída em caráter de emergência cedeu devido às fortes chuvas da madrugada”.
O acidente foi registrado no mesmo trecho onde, anteontem, por volta das 7h30, seis vagões que seguiam em direção a Campo Grande, carregados com óleo diesel, tombaram e outros dois descarrilaram. A composição era formada por 32 vagões e, apesar do acidente, não houve vazamento de combustível. Uma sindicância foi aberta para apurar o caso.
Na quarta-feira, por volta das 19h, em Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), cinco vagões carregados com celulose saíram dos trilhos e danificaram pelo menos 80 metros de linha (leia nesta página).
Falta de investimentos
Roberval Duarte Placce, diretor do Sindicato dos Ferroviários, critica a falta de investimentos na malha ferroviária e diz que a entidade vem cobrando do governo uma maior fiscalização. “A manutenção está sendo insuficiente e ineficaz para a conservação da ferrovia. O número de acidentes que a gente tem hoje é muito maior do que antes da privatização”, declara.
“Depois de 16 anos de concessão, é a terceira empresa que vem aqui e as ferrovias continuam sendo ineficientes, os investimentos são insuficientes e o número de acidentes continua aumentando”.
Por meio da assessoria de imprensa, a ALL declarou que investe anualmente cerca de R$ 650 milhões no aumento da segurança nas operações ferroviárias sob sua concessão e que, deste montante, de R$ 200 milhões são destinados à malha férrea paulista.
Em Presidente Alves, vereador cobra explicações da ALL
O tráfego de trens continuou interrompido ontem também em Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru). Dois guindastes foram acionados para a retirada da carga de celulose de cinco vagões e transferí-los para carretas. O descarrilamento aconteceu por volta das 19h de quarta-feira no km 64. Cinco vagões saíram dos trilhos e danificaram pelo menos 80 metros de trilhos.
O presidente da Câmara de Presidente Alves, Waldyr Luiz Lamberti, o Bady (PTB), informou ontem que vai pedir providências à América Latina Logística (ALL) para consertar o trecho. “Nesse trecho passam também vagões de combustível. Um acidente pode ser uma tragédia se houver incêndio. Se a empresa não tomar providência, vou acionar o Ministério Público ou até tomar alguma medida judicial para obrigar a manutenção adequada da ferrovia. Essa empresa é campeã de descarrilamento”.
Bady visitou o local do acidente ontem à tarde. O acidente aconteceu 500 metros depois de um pontilhão, mas poderia ser pior se fosse em cima da ponte e caísse algum vagão.”
Ele disse que vai apresentar um requerimento na próxima sessão da Câmara para ser enviado à ALL para que a empresa preste esclarecimentos sobre a conservação dos trilhos no perímetro urbano de Presidente Alves.