Geral

Rio Batalha normaliza com chuva atingindo média do mês

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A normalização da capacidade de captação de água no rio Batalha foi atingida, mas não permite que a população bauruense comemore desperdiçando água. Conforme o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Unesp Bauru, nos primeiros 14 dias do mês, a cidade já ultrapassou a média de chuva acumulada para todo o mês de outubro, que é de 115mm. Somente a chuva no período de 39 horas acumulou 67,5mm, sendo que na quinta-feira foram 39,1mm e mais 36,6mm até 22h30 de ontem.

Com a concentração de chuva nos últimos três dias, a lagoa do Batalha voltou a 2,60 metros, nível considerado adequado para a operação de captação pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. No auge do desabastecimento na cidade, com o sistema trabalhando em rodízio para não deixar nenhuma região desabastecida na semana passada, o nível caiu para 2,06 metros.

Em nota ao JC anteontem, a Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE informou que a produção trabalhava com vazão de 570 litros por segundo, considerada na média de operação.

Na tarde de ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) foi conferir com a reportagem do JC as condições de captação da água no rio Batalha, de onde provém água para abastecer 40% da cidade de Bauru, o equivalente a cerca de 137,6 mil bauruenses. Ele ratificou a normalidade do nível do rio. "Isso não quer dizer que não tenha problema, porque uma bomba estoura ou um cano estoura", admite.

Se a chuva resolveu parte do problema, até 22h de anteontem a água barrenta causou lentidão no tratamento da água, com o processamento de apenas 230 litros por segundo. A nota da Divisão de Produção ainda esclareceu que o abastecimento foi normalizado com a recuperação do níveis dos reservatórios. Contudo, o DAE mantém o alerta à população: "É necessário reiterar que, por ocasião da estiagem, não obstante a recuperaçao dos níveis do Batalha, é imprescindível a economia de água e reservação individual dos imóveis, na proporção mínima de 500 litros por dormitório no caso de residência".

Torneira seca


Moradores do Jardim Marambá reclamaram ontem de falta de água com a retomada do abastecimento no período da tarde. Ainda ontem, estava prevista a interrupção do fornecimento nos bairros Mary Dota, Jardim Silvestre, Beija-Flor, Flórida e Santa Luzia. De acordo com a autarquia, das 13h30 às 17h30 a CPFL faria serviços na rede elétrica, interferindo no funcionamento do reservatório do DAE na quadra 3 da rua Raul Scarel, Mary Dota.

Na semana passada, o desabastecimento atingiu a Vila Dutra, Jardim Higienópolis, Beija-Flor, Altos da Cidade, Vila Souto, Bauru 16, Parque Real e Vila Cardia.

____________________

Chuva no fim de semana


No período da tarde de ontem a chuva deu uma trégua, mas retornou com força no início da noite, como se projetasse o final de semana do bauruense. O meteorologista do IPMet Bruno Lisboa Medina avalia que, até amanhã, o tempo chuvoso permanecerá em Bauru. No entanto, projeta uma segunda-feira carrancuda, de tempo com nebulosidade, mas sem chuva.

Para hoje, a probabilidade de chuva é de 80%, conforme projeção do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe). A temperatura mínima estimada é de 19 graus e a máxima de 30. Amanhã, a previsão climática é de 18 a 30 graus, respectivamente temperaturas mínima e máxima, e 80% de chance de chover. Na segunda, como atentou Medina, a probabilidade de chuva cai para 5%, com temperaturas variando de 17 a 27 graus.

Álvaro de Brito, da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Bauru, alerta para que as pessoas fiquem atentas à estiagem que deve ocorrer a partir da próxima semana, confirmada por Medina. Brito explica que a população deve aproveitar este momento para limpeza de calhas, coletores d?água e ralos, que integram o sistema de coleta e dispersão das águas da chuva.

A estrutura do telhado das casas também merece uma revisão de telhas e madeiramento. Ele insiste que não se deve realizar esse tipo de manutenção no telhado em período de chuva pelo risco de uma queda ou descarga elétrica proveniente de raios.

____________________

Alagamentos e inundação são armadilhas


O bauruense sabe dos perigos do período de chuva com alagamentos e inundações por todos os lados da cidade. A avenida Nações Unidas é a mais lembrada por inúmeras ocorrências gravíssimas, inclusive mortes. Para melhorar a situação de segurança para pedestres e motoristas, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Bauru pontuou e a Emdurb está instalando placas sinalizadoras dos pontos de inundação e alagamento na cidade

Na manhã de ontem, o cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Aureliano Cardia, na Vila Cardia, inundou. Este é um dos lugares relacionados para sinalização.

Para Brito, da Defesa Civil, as chuvas dos últimos dias são uma amostra do que vem nas tempestades de verão a partir de novembro e meados de dezembro. O coordenador da Defesa Civil explica que esperava as chuvas dos últimos dias no final de mês. Segundo Brito, este ano é de precaução com La Niña, fenômeno climático que provoca queda de temperatura no Oceano Pacífico e afeta o sistema climático de forma global. Brito explica que La Niña deverá potencializar as chuvas de verão na região Sudeste do Brasil. "É preocupante. Aliás qualquer fenômeno que traga uma gota d?água para nossa região já é preocupante", define.

O coordenador da Defesa Civil renova as precauções que o bauruense deve colocar em prática na época de chuvas intensas devido ao risco de enchentes e doenças. O lixo deve ser colocado nas portas próximo do horário da coleta. Também é preciso que a população se conscientize para não descartar de forma irresponsável potes plásticos, garrafas pet, pneus, móveis e outros utensílios domésticos. Brito relembra que a cidade enfrenta problemas com a dengue, leishmaniose e o incômodo caramujo africano. Ele cita que já há sinais dos primeiros caramujos reaparecendo com as condições climáticas favoráveis de alta umidade e temperaturas elevadas.

Na edição do JC de ontem, foram confirmados quatro novos casos de dengue na cidade, totalizando 4.336 ocorrências, das quais apenas seis são de pessoas infectadas em outros municípios. Ao todo, seis pessoas morreram. O mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti, procria na água limpa e parada em recipientes descartados em terrenos baldios. A recomendação para evitar a proliferação do Aedes é manter quintais limpos, descartar corretamente garrafas vazias, pneus velhos e demais recipientes.

Manter caixas d?água tampadas, vasos e pratos devem receber areia. As piscinas vazias devem ser cobertas com lona. Vasos sanitários devem ser tapados. Também é preciso depositar hipoclorito de sódio (alvejante) em ralos externos e internos.

Comentários

Comentários