De repente o Brasil descobriu que para entrar, de fato, no seleto clube dos países desenvolvidos precisa investir, e muito, em educação. Descobriu que para não se tornar um eterno exportador de commodities de baixo valor agregado e ter que esfolar seu rico meio ambiente em larga escala precisa incorporar tecnologia e conhecimento a seu parque industrial. Descobriu que o tamanho do PIB cultural de um país também pesa na consolidação das instituições e no bom ranqueamento entre as nações mais respeitadas no mundo global. E descobriu ainda que violência, principalmente aquela gerada pela praga do tráfico de drogas, tem relação di-reta com educação, com oportunidades advindas do aprendizado, aquele que forma ci-dadãos plenamente aptos a exercer direitos e deveres em condições paritárias.
A partir dessa nova "redescoberta" do Brasil, instalou-se um debate nacional sobre educação, por enquanto ainda restrito o pla-no das elites intelectuais e políticas. Já é al-guma coisa em uma Nação que historicamente relegou a educação a segundo plano nas prioridades públicas por motivos os mais variados possíveis. Há até a clássica teoria de que para o establishment político, desde a colônia à nova República, não interessa um povo educado, com o fim de mantê-lo encabrestado. No fundo, no fundo, faz sentido. Porém, discutir educação como um fenômeno sócio-econômico e cultural apenas não basta. Discutir o processo educacional e a estrutura física das escolas deve ser uma tarefa posterior ou, no máximo, paralela. Afinal, não podemos mais perder mais um minuto sequer neste País de analfabetos funcionais. É preciso, antes de tudo, lançar muita luz, discutir e resolver o problema da precarização do principal agente da educação ? o (a) professor (a). Este que já foi "autoridade" em uma época em que não se encontrava tão vilipendiado em seus direitos mais básicos, décadas atrás. Coincidentemente, talvez não propositadamente, foi no período desenvolvimentista do anos 50, 60 e um pouco dos 70 que a categoria era mais respeitada e o ensino público, consequentemente, mais consequente. Era possível ingressar nas melhores faculdades a partir do término do que hoje chamamos de ciclos fundamental e médio. "Que saudade da professorinha, que me ensinou o beabá" - inevitável recorrer à singeleza da letra para dizer que até a música dava mais importância a esses abnegados profissionais. Não se trata, agora, de reviver a estrutura educacional dos anos de falsos milagres econômicos, evidentemente, até porque os tempos e as circunstâncias são bem diferentes. Também não adianta estigmatizar o professor como a panacéia dos problemas da educação e da cultura de nosso povo. Hoje, muitos pais relegam até a educação informal ao professor. Este não é super-herói. É um profissional como outro qualquer e deve ser visto como um trabalhador que precisa ter condições de exercer sua nobre função. Para isso precisa ser devidamente remunerado, ter tempo para exercitar o conhecimento e se aperfeiçoar, porque dele depende a formação intelectual e a educação formal de nossas crianças e jovens. Dele, consequentemente, depende um país forte, que pretende uma democracia consolidada que conta com cidadãos seguros de seu papel na sociedade, éticos, bem informados e respeitadores do próximo. O Brasil investe muito dinheiro em educação, dirão os governantes. É verdade, cerca de 4% a 5% do PIB. Mas investe mal. Porque não investe, acima de tudo, no professor. Os países asiáticos que acabaram de adentrar o clube dos mais prósperos fizeram revoluções na educação, como a Coréia do Sul, por exemplo, valorizando os profissionais. Faz-se tanta campanha na área de saúde - com muita razão de ser, mas alguém já viu uma propaganda daquelas veiculadas em rede nacional de TV com alguma mensagem sobre o professor e a educação? Não, até porque nossa educação nunca foi mote para alavancar campanhas eleitorais. Força, mestres!
O autor, João Jabbour, é gerente editorial