Enterrar um neto de 2 anos foi arrasador. E a dor parece não ter fim para o avô Lourival Pereira Cestari, 59 anos. Na semana passada, ele foi visitar o túmulo da criança, enterrada há dois meses, e constatou que a sepultura está encharcada e prestes a cair em uma enorme erosão, aberta no Cemitério Cristo Rei, localizado no Parque Jaraguá, em Bauru. No local, outros cerca de 50 túmulos estão na mesma situação.
O problema é constrangedor para qualquer um que se aproxime do local, especialmente para quem tem parentes enterrados no cemitério. Conforme a reportagem verificou, ao chegar já é possível notar o mau cheiro e perceber as muitas moscas que se aglomeram ao redor dos túmulos. Quando Lourival e a sua esposa chegaram ao cemitério na manhã da última quinta-feira, ficaram impressionados com a quantidade de água que havia tomado uma das erosões.
"O túmulo do meu neto está apoiado com pedaços de madeira para não ceder e cair. Dentro dos túmulos também deve haver muita água, porque eu abri a tampa do dele e vi que está cheio de água. Acho isso uma falta de respeito porque estou pagando ainda por ter enterrado meu neto lá. Já é uma situação difícil, ainda vejo uma coisa dessas", criticou Lourival.
O local onde a criança foi enterrada só pode ser reconhecido dentre os demais por conta das flores que os avós colocaram no local. "Eu quero um serviço adequado porque paguei e ainda pago parte dos R$ 150,00 que tive que desembolsar para enterrar meu neto lá, o que não foi nada fácil".
Conservação
No geral, os túmulos antigos do Cemitério Cristo Rei estão bem conservados. Entretanto, a parte que está sendo ampliada não possui estrutura para receber novos corpos.
A terra fofa mostra que o solo está encharcado, não só por conta das chuvas que estão atingindo Bauru nos últimos dias. Faltam guias, mini-guias, calçadas, asfalto e, principalmente, uma preparação adequada para o solo onde os túmulos estão sendo colocados.
De acordo com a divisão de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que se manifestou por meio da assessoria de imprensa, o que causou as diversas erosões no cemitério foi a chuva. Informa que, como as ruas acima do cemitério são de terra, com a força da água, ela desceu e acabou desnivelando a passagem de água da rua, que jogou toda essa água diretamente para o cemitério. Como o local não possui muros, a chuva passou pelo alambrado e causou erosões.
Na última quinta-feira, funcionários da Emdurb fizeram a limpeza no local e, hoje, as erosões receberiam taludes para apoiar os túmulos e não deixar que eles caiam dentro dos buracos. Outras modificações como a construção de muros, guias, mini-guias, calçadas e asfalto estão previstas, mas sem data definida.
Doenças
Ao tornarem-se piscinas de lama e água, os túmulos também podem facilitar a transmissão de doenças como a dengue, que já começou a fazer novas vítimas em Bauru.
Na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru confirmou quatro novos casos da doença. No total, Bauru contabiliza neste ano o maior volume de pessoas infectadas de toda sua história. São 4.336 notificações, sendo 4.330 autóctones e seis importados, com seis mortes.
Por essa razão, é importante que a população não deixe de manter cuidados essenciais para que a doença não se propague como manter quintais limpos, descartar garrafas vazias, pneus velhos e demais recipientes que possam armazenar água ou mantê-los devidamente protegidos com tampas, manter caixas d?água devidamente tampadas e vasos e os pratos dos mesmos com areia.
Piscinas vazias devem ser cobertas com lona, as calhas devem sempre estar limpas e desobstruídas. Os vasos sanitários devem permanecer fechados. Os ralos externos e internos precisam ser mantidos limpos e com aplicação de alvejante.