Internacional

Protestos levam 200 mil às ruas no Chile

Folhapress
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Santiago - Mais de 200 mil chilenos saíram ontem às ruas de Santiago para protestar por educação gratuita, no segundo dia de marchas convocadas pelo movimento estudantil.

A manifestação, que terminou com 263 detidos na terça e outros 40 ontem, foi um desafio à de Lei de Segurança Nacional e forçou o governo a prometer “maiores esforços” para atender às demandas do movimento.

Depois da marcha, o ministro da Secretaria de Governo, Andrés Chadwick, admitiu que “pode buscar fórmulas para garantir que até 60% dos estudantes chilenos tenham bolsas e crédito educativo”. Antes, o governo dizia que 40% era o limite.

A marcha de ontem foi a 109.ª desde maio. Em Santiago, grupos montaram barricadas em chamas e enfrentaram a polícia, que reprimiu lançando gás lacrimogêneo.

Contudo, a manifestação foi pacífica na maior parte do tempo. “Tenho quatro irmãos. Minha família nunca poderá pagar universidade para nós. Não é certo que só os que tenham dinheiro possam estudar”, disse Carolina Jimenez, 15 anos, que foi de uniforme à marcha.

Camila Vallejo, presidente da Confederação de Estudantes da Universidade do Chile e uma das líderes do movimento, disse que “o Chile é hoje um Estado terrorista, que criminaliza seus estudantes”. Ela acusou a polícia de usar força excessiva contra os jovens.

Na semana passada, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos questionou a ação da polícia chilena durante os protestos.

A invocação pelo governo, anteontem, da Lei de Segurança Nacional criada na ditadura para enquadrar os protestos como crime, foi criticada por juristas. “É um erro grave, um exagero enorme, uma medida que provoca efeito inverso. Teremos ainda mais violência”, disse Juan Pablo Hermosilla, professor de direito da Universidade Diego Portales. Para ele, o Código Penal já tipifica os crimes cometidos nas marchas.

Com 22% de aprovação, Sebasitán Piñera é hoje o presidente mais mal avaliado das Américas. O empresário de 62 anos assumiu em março de 2010. O mandato presidencial no Chile é de quatro anos, sem direito à reeleição. “(Piñera) É o que chamamos em política de pato manco, alguém que está no cargo, mas já não fica de pé como deveria”, avalia o analista político Patricio Navia.

 

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