O médico José Eduardo Fogolin Passos, ex-coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Bauru, assumiu na semana passada a Coordenação-Geral de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, em Brasília. O bauruense, que já atuava na Secretaria de Atenção à Saúde há dois anos, passará a organizar as políticas públicas voltadas aos atendimentos ambulatoriais e cirurgias especializadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Nossa intenção é aumentar o acesso do usuário à média e alta complexidade. E, neste trabalho, também estarei disponível para apoiar e pensar politicamente a saúde de Bauru e região, com a qual me preocupo”, afirma o médico, que atuou no Samu de Bauru por quatro anos.
Em sua gestão na Capital federal, que não possui mandato com prazo definido, Passos explica que pretende adequar as atuais demandas existentes para procedimentos de alta e média complexidade, como cirurgias cardíacas e ortopédicas, atendimentos em nefrologia, oftalmologia, oncologia e hemodiálise, entre outros.
O objetivo é facilitar a vida de pacientes que procuram atendimento na rede básica de saúde e são encaminhados para tratamentos especializados ou daqueles que precisam ser submetidos a cirurgias de alta complexidade, tanto de urgência quanto eletivas, ou dependem de medicamentos de alto custo.
Embora atendam a um grupo de pacientes mais restrito, o médico destaca que estas políticas públicas não podem ser desenvolvidas de maneira compartimentada. Segundo ele, seu trabalho deve, sobretudo, considerar a macroassistência à saúde estabelecida em todo o SUS.
“Hoje, temos um grande acesso à atenção primária e de urgência. Nosso desafio é estabelecer políticas públicas para que não haja um descompasso entre esta rede generalista e a de média e alta complexidade. Queremos que o usuário tenha acesso garantido a todo o tratamento de que ele necessitar, do começo ao fim”, aponta.
Acesso à saúde
Entre as formas de reavaliar as atuais políticas de acesso à assistência, Passos destaca que irá qualificar protocolos de atendimento e procedimentos, além de estabelecer discussões com a classe médica para ampliar o acesso à saúde especializada, incorporando, inclusive, as novas tecnologias disponíveis.
Também pretende criar novos programas que possam trazer o atendimento de média e alta complexidade para a ponta da assistência ao usuário.
“Um exemplo de como fazer isso é o Programa Olhar Brasil, do Ministério da Saúde em parceira com o Ministério da Educação, que vai às escolas para fazer o diagnóstico precoce de problemas oftalmológicos em crianças. É o atendimento público indo até o paciente”, frisa.
José Eduardo Passos já trabalha no Ministério da Saúde há cerca de dois anos, período em que atuou como consultor e coordenador substituto da Coordenação-Geral de Urgência e Emergência. Por estar vinculado a uma pasta do governo federal, foi convidado a participar da câmara temática responsável por estruturar a assistência de saúde durante a realização da Copa do Mundo de 2014 nas 12 cidades-sedes brasileiras.
Médico especialista em ortopedia e traumatologia, ele também integrou, no ano passado, o grupo de ajuda humanitária das Organizações das Nações Unidas (ONU) ao Haiti