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Dilma decidirá sobre Orlando Silva

Reuters
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Brasília - A presidente Dilma Rousseff não esperou até hoje para se reunir com os ministros do núcleo político do governo para avaliar a situação de Orlando Silva (Esporte). Depois de passar a semana na África, Dilma chegou de helicóptero ao Palácio da Alvorada às 21h06 de ontem.

Minutos antes, Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) já haviam chegado à residência oficial. Em seguida, chegou Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Também é aguardado Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).

Orlando Silva não deveria participar do encontro. Na reunião, que não tem hora para acabar, a presidente será atualizada da situação do ministro e do ambiente político para uma eventual saída de Orlando Silva.

Até o fechamento desta edição, o compasso era de espera e havia um notável clima de apatia no Palácio do Planalto sobre o futuro do ministro do Esporte, Orlando Silva, no governo.

Coube à própria Dilma dar as declarações mais fortes em defesa do auxiliar antes de iniciar a viagem de volta ao país. Em Angola, Dilma disse que considera que o ministro é alvo de um “apedrejamento moral”.

A avaliação do governo é que o ministro soube se defender até agora da denúncia feita pelo policial militar João Dias Ferreira de que Silva coordenaria um suposto esquema de desvio de recursos destinados a convênios com organizações não-governamentais firmados pela pasta no âmbito do programa Segundo Tempo, que visa promover a prática esportivas entre crianças, jovens e adolescentes.

Ferreira, um dos cinco presos no ano passado em operação da polícia de Brasília que investigou recursos do programa, afirma ter provas de suas denúncias, embora ainda não as tenha apresentado.

Apesar de o ministro ter se saído bem nas audiências públicas no Congresso, onde quase não foi questionado pela oposição, o clima nesta quinta era de que o ele segue um enredo semelhante ao de outros ministros que deixaram o cargo nos últimos meses por conta de suspeitas de desvios éticos.

Quatro ministros de Dilma já deixaram seus cargos em meio a denúncias de irregularidades - Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo).

Um assessor do Palácio disse à reportagem, sob condição de anonimato, que notou que o próprio ministro está se sentindo fraco politicamente e já teria indicado que chegou ao seu limite na luta contra as denúncias diárias.

O presidente do PCdoB, Renato Rebelo, se reuniu com os ministros da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e ouviu que não haverá enfraquecimento político da pasta caso Silva seja mantido e que o partido não perderá o Ministério do Esporte.

“Eles também afirmaram que o PCdoB não é um aliado qualquer, que somos aliados históricos”, disse a jornalistas ao sair da reunião. Rebelo disse que o governo não deveria trocar ministros apenas por denúncias da mídia e baseadas em acusações sem provas. “Essa operação derruba ministro tem que parar”, disse.

Um outro assessor do Palácio, que também pediu para não ter seu nome revelado, analisou que o clima de aparente apatia se deve em parte pela falta de fatos novos.

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