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De menino engraxate a empresário

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Nos centros urbanos ou na zona rural, não é difícil encontrar crianças que dediquem parte de seus dias ao trabalho para reforçar a renda familiar. A história do empresário Alan Luís Martinelli começou ainda na infância, parte por necessidade, parte pelo desejo de contribuir com a família, já que aprendeu com o pai sobre a importância do trabalho na vida e responsabilidade de um homem.

Quando tinha 12 anos de idade, Alan foi um dos personagens de uma matéria publicada pelo Jornal da Cidade na edição do dia 6 de julho de 1988, sobre meninos que trabalhavam como engraxates para colaborar com a renda familiar. Hoje, aos 35 anos de idade, ele relembra sua história de superação e conta como se tornou empresário no ramo de compra e venda de carros.

"Meu pai era construtor civil e, graças a Deus, nunca passamos fome. Eu estudava, essa era uma exigência de meus pais. Eu estudava, mas queria trabalhar, fazer alguma coisa para ajudar em casa. Lembro-me que o meu primeiro contato com o trabalho foi aos 6 anos de idade como vendedor daqueles sorvetinhos em saquinhos, gelinhos, na porta de uma escola no Beija-Flor. Depois, passei a ajudar parentes que trabalhavam como camelôs", conta.

Na época, como ajudante de camelô, Alan recebia uma quantia diária equivalente a R$ 5,00. Mas, como a criatividade de criança não tem limites, ele planejou o que faria para ganhar mais dinheiro com o seu tempo livre. Como via garotos trabalhando como engraxates na Praça Rui Barbosa, ele percebeu que aquele trabalho era mais rentável. Foi quando fez sua própria caixa de engraxate e começou a trabalhar. Isso em 1988, já aos 12 anos.

Para os pais

Com o dinheiro triplicado, Alan salienta que fazia questão de dar uma parte do que conseguia com seu trabalho para os pais. "Meus pais não pediam o dinheiro, mas eu gostava de ajudar a comprar alguma coisa, como alimentos no supermercado. Acredito que a criança que trabalha cria responsabilidades e aprende o valor do dinheiro. Eu via as dificuldades e queria melhorar. Apesar de minha família nunca ter passado por grandes dificuldades financeiras, eu nunca pude ter um videogame, algo que era meu sonho", aponta.

"Lembro-me que eu era um menino que gostava de ganhar dinheiro. Acordava pensando nisso e investia comprando graxa e tratando bem os clientes. Na época em que o JC fez a matéria sobre os meninos que trabalhavam para ajudar em casa, eu chegava a engraxar 15 pares de sapato por dia. Eu me arruma todo, penteava os cabelos, estava sempre apresentável para os clientes", recorda-se.

A vida de engraxate de Alan durou até que ele resolveu seguir o conselho de uma cliente e foi "batistar" em busca de um emprego mais rentável. Colocou uma roupa de igreja, como as pessoas chamavam suas melhores roupas na época, e conseguiu um emprego em uma loja, onde ficou até ser convidado para trabalhar em uma farmácia, ocupação que lhe rendeu seu primeiro registro com carteira assinada, aos 13 anos de idade. "Mais tarde, fui convidado a trabalhar na Varig como uma espécie de office-boy. Fiquei lá dos 14 aos 19 anos, até servir o Exército".


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?Meu sonho sempre foi conquistar vida melhor'


Já adulto e depois do Exército, as ofertas de emprego já não pareciam tão frequentes e Alan Martinelli foi trabalhar como chapeiro, carga e descarga de caminhão. Eu tinha cursos de digitação e datilografia, por isso logo consegui um emprego em uma empresa de valores. Mas ainda não era o que eu queria e comecei a trabalhar com meu irmão na compra e venda de automóveis. Contudo, eu não tinha dinheiro para investir. Lembro-me do primeiro carro que consegui comprar para revender, foi um Prêmio branco, isso em maio de 1998", afirma.

Após negociar com "pessoas erradas", como Alan prefere dizer, ele adquiriu dívidas e precisou recomeçar. Em 2002, em sua casa, o empresário passou a cadastrar os carros de pessoas que queriam vender seus automóveis, como um tipo de serviço terceirizado. Ele chegou a ter mais de 100 veículos cadastrados e vendeu oito carros em um único mês. "Nessa época, meu único meio de transporte era uma bicicleta verde. Até que as coisas foram se ampliando e eu consegui montar uma loja de compra e venda de automóveis na quadra 2 da Nações Norte, onde estou há 3 anos".

De menino engraxate a empresário,
hoje Alan atribui o seu crescimento econômico ao fato de acreditar que a vida pode ser melhor. "Eu acredito que as pessoas nunca devem desistir de seus sonhos, sempre colocando Deus acima das ações. É preciso, também, trabalhar com honestidade integridade. O segredo para o sucesso é a honestidade e a fé", finaliza.

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