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Apostadores ?ganham a vida? online

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Fazer uma fezinha é cultural do brasileiro. Paradoxalmente, é praticamente proibido. Exceto as apostas nas casas lotéricas do governo, em nenhum outro lugar é possível desembolsar um dinheirinho para tentar ganhar uma dinheirama, ao menos de forma lícita. Contudo, o rompimento de fronteiras da Internet também supera mais esse obstáculo e, agora, o "cassino" vem até nossas casas (leia mais na página 13).

A febre dos sites de apostas, sejam páginas de resultados esportivos ou que formam mesas para jogos de azar, com mesas virtuais de pôquer, principalmente, atraem quem antes tinha receio de sair de casa rumo a rodas fechadas ou clandestinas. Reduzida apenas a um clique, a distância agora é muito menor e, em Bauru, tem gente que até abdicou do emprego para se dedicar exclusivamente às apostas.

É o caso do analista de sistemas R.P., de 25 anos. Assumidamente jogador profissional de pôquer, ele apostou todas as fichas no baralho virtual, que de uma distração passou a ser o seu esteio. "Sempre gostei de jogar, mas percebi que (o pôquer) me propiciava uma renda mensal maior que o salário que eu tinha. Foi quando decidi pedir as contas e me dedicar mais", justifica.

R. diz ter aprendido a jogar há sete anos, mas foi há cerca de dois anos que começou a se aprofundar nas combinações de naipes, números e cores no baralho virtual. "Me aprimorei, busquei conhecimento em livros", receita o jogador, que calcula uma renda mensal média de R$ 4 mil.

Contudo, ele admite que a sorte é a principal ferramenta da atividade, com rendimentos - ou prejuízos - extremamente voláteis, ainda mais para quem deseja contar com uma renda fixa por mês. "Já cheguei a fechar (o mês) com R$ 20 mil, como cheguei a faturar apenas R$ 200,00".

Atualmente, ele conta dedicar seis horas do dia para jogos em frente ao computador, que dividem espaço, e a mesma quantidade de tempo, segundo ele, com partidas ao vivo com outros apostadores da cidade. Para ele, o carteado não é encarado como divertimento ou até mesmo vício. "Eu encaro de forma empresarial, é como um investimento", acredita.

O jogador diz reconhecer que os ganhos são traiçoeiros e que se previne. "Por mais habilidade que se tenha, vai chegar uma hora em que o baralho não vai te ajudar. Por isso é importante gerenciar a conta, não deixar ?quebrar?. Mas a maioria dos que jogam são viciados mesmo, que entram mais pelo prazer do jogo", compara.


Sorte S/A

"Conheço muita gente que vive do pôquer, mas muita gente", testemunha o universitário Fábio Olbrich Moura, de 21 anos. Também adepto das mesas virtuais, mas sem o mesmo grau de "profissionalismo" dos outros jogadores, diz, Fábio admite que a facilidade e segurança, ao menos física, do jogo dentro de casa lhe trouxeram algum lucro - conta já ter faturado US$ 2,5 mil com um ?investimento? de US$ 11 (taxa mínima desembolsada para participar do jogo).

Segundo ele, seu jogo é moderado em comparação a outros "profissionais" das apostas virtuais. Geralmente, quando chega na faixa de R$ 600.00 ou R$ 700,00, logo retira as quantias, enviadas para uma conta registrada no próprio site. Entretanto, diz ele, tem gente que fatura muito mais. "Conheço gente que comprou carro e vive disso", reitera. "É um negócio absurdo", impressiona-se.


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?Cassino virtual? é livre para menores de idade


Imaginemos que o jogo fosse liberado no Brasil. Qualquer pessoa poderia comprar algumas fichas num cassino, exceto menores de idade, obviamente. No entanto, o fato de ser "dono do próprio nariz", na Internet, é o que menos importa para os sites-cassino no momento de arrebanhar novos apostadores. Em Bauru não é diferente. Tem gente que ainda não tirou a carteira de motorista, mas que integra mesas virtuais de jogo.

O estudante V., de 17 anos, diz passar nove horas por dia apostando suas fichas também no pôquer online. O rapaz, que neste mês conta ter ganho pouco mais de US$ 2 mil nas mesas virtuais, garante se cadastrar nos sites sem qualquer tipo de embaraço.

Apesar das páginas de apostas "exigirem" que o jogador tenha mais de 18 anos, o requisito não passa de mera formalidade. Apesar da promessa de dinheiro fácil, o adolescente garante que o jogo online é apenas diversão e que seus pais estão cientes do "hobby". "É distração mesmo, tem gente que joga muito mais, até ?trabalha? com isso", compara.

Quem também garante jogar por mero prazer e sem envolver dinheiro é o representante comercial José Eduardo de Souza Filho, de 40 anos. "É bem legal, mas eu só uso dinheiro fictício", assegura ele, que diz ter aprendido as regras e manhas do carteado ainda aos 18 anos com máquinas de videopôquer em Dourados (MS). "Era igual a um fliperama, mas com fichas de R$ 0,50", recorda. Hoje, ele diz que o único "prejuízo" causado pelo jogo online é quanto ao tempo em frente ao computador. "Jogo quatro dias por semana, só não jogo mais porque viajo muito, mas sempre sem envolver dinheiro", assegura.

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